Vamos com Calma

Porque que é que todo mundo corre tanto o tempo todo, hein?

E o pior é que essa correria tem se tornado tão comum que a cada dia que passa, aceleramos ainda mais e mais, e que a cada dia percebemos menos o quanto corremos.

Por que será que ficamos tão impacientes quando precisamos esperar por algo?

Já viu em fila do supermercado? Demora uns minutinhos e já estamos reclamando.

Já observou que não paramos o que estamos fazendo nem pra conversar com as pessoas?

É! Continuamos escrevendo e falando, andando e falando, comendo e falando, comendo e escrevendo e falando.

Não curtimos uma coisa de cada vez.

“Tempo é dinheiro”. Tempo é dinheiro? Será que realmente ganhamos dinheiro com essa correria? Ou perdemos mais em qualidade no trabalho? Em qualidade de vida? E em qualidade de ser?

Quantas vezes lemos o comecinho do e-mail e deixamos pra terminar num dia em que tivermos tempo? Ou sentimos aquela saudade de um amigo e deixamos pra ligar num dia que estiver mais tranqüilo?

Nosso ritmo é tão apressado, nossas passadas tão largas que passamos por lugares e pessoas que nem vemos, e vamos seguindo em nossa desvairada correria.

Lugares – são tantos lugares que nem vemos que não curtimos e que não admiramos.

Quantas vezes vemos uma foto e dizemos “nossa! Que lugar maneiro!”, mas passamos por lá todos os dias e sequer reparamos.

E as pessoas?

Quantas vezes encontramos pessoas que há tanto tempo não vemos e sequer paramos na rua para falar com elas de nós e saber delas, porque estamos com pressa? E o cumprimento fica reduzido a um “oi”, “tá boa?”, “cê sumiu?”, “vê se aparece”, “me liga tá?” e só. Nem troca os telefones, os e-mail´s (que já mudaram há tanto tempo, e mesmo se o outro tentar achar você, coitado, não vai conseguir). Aí o tempo passa, passa, e tem gente que a gente nem lembra mais, não sabe nada delas, porque a gente não tem tempo.

E por que corremos?

Corremos pra conseguir entregar o trabalho no prazo combinado, pra vencer a pressão, e que pressão! Todos querem tudo pra ontem, tudo é urgente! Imprescindível! Corremos pra ganhar mais, pra aprender mais, pra formar logo, fazer aquele contato rápido, fechar aquele contrato o mais depressa possível.

E pra quê? Pra atender a outros apressados, stressados.

Quem dera a gente mudasse a nossa forma de viver, voltasse a ser como quando éramos crianças.

Naquele tempo a gente saboreava cada pedacinho da torta, mastigava toda a comida sentindo realmente o gosto. A gente tomava sorvete com calma, sim, começava a derreter. Sentindo prazer em comer. A gente ria de piadas e causos juntinhos com nossos amigos e quando tinha briga, passava tão rápido a mágoa, que logo era o melhor amigo de novo. Pisava descalço no chão, tomava banho de chuva, tinha paciência e achava lindo olhar pro céu e ver as estrelas, as constelações. Aliás, hoje em dia, quem é que sabe achar as constelações?

Quem dera a gente vivesse o presente, sem correr tanto pro futuro.

Por que correndo tanto o futuro pode não chegar. Todo dia acontecem tantos infartos e tantos acidentes fatais.

E quem corre tanto será que chega a algum lugar pra em fim aproveitar ainda em vida?

Por que ninguém vai parar a vida quando a gente se for, somos substituíveis em quase todas as esferas de nossa curta vida.

E se a vida é tão passageira, por que não curtir cada detalhe?

Por que não ser feliz agora e não quando eu conseguir tal coisa?

Por que não ser mais do que ter?

Vamos com calma senão a vida passa e quando quisermos curtí-la ela já terá passado.

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