Mulher de Fases

Teve uma época da minha vida que tudo que eu queria era ser chique. Chique mesmo! Eu com minha visão reprimida e restringida a um horizonte debilmente pequeno, pensava que precisaria ser chique pra ser feliz.

Entenda-se chique como fazer muitos cursos, usar roupas super transadas, ter os amigos mais influentes - famosos preferencialmente - fazer coisas complicadas, falar palavras desconhecidas da maioria dos seres viventes, ver filmes cult, enfim, ser uma intelectual que fosse conhecida por seus feitos, sua maneira de vestir, seu comportamento e tudo o mais relacionado a minha pessoa como perfeitos, mesmo que não muito comuns, mas decididamente invejados pela maior quantidade possível de pessoas. Queria ser perfeita em tudo!


Taí o problema de se reprimir uma criança sonhadora. Eu, pra fugir da realidade que me era imposta e poder viver a minha realidade passava a vida lendo - o que é positivo nisto tudo - e querendo ter minha vida como uma mistura dos muitos personagens, buscando ser completamente aceita pelos que me cercavam, e que o meu pai - o severo repressor - visse em mim uma pessoa muito melhor que ele e livre, apesar de viver enclausurada nas poucas coisas que eu podia fazer: até ler era escondido, pois não deixava ficar noite à dentro com a luz acesa, e por esta razão eu lia à luz da lua que lumiava a janela do meu quarto.

Cresci com a visão muito complexa de tudo, dando valor ao que fosse complicado. Me cobrando ter sempre as melhores notas da turma - não aceitava menos que 90% , ser a que mais tivesse amigos, esnobando admiradores só pelo prazer de me sentir a tal. Por muitos anos achava que o ter era tão importante quanto o ser.
Quanta burrice! Me pergunto que tipo de pessoa eu seria se ainda fosse assim. Acho que já estaria amarrada numa camisa de força!

A vida é sim complexa e complicada demais porque as pessoas a complicam e a tornam complexa. Viver é um presente que deve ser vivido no presente! Sem essa de ficar me torturando por um resultado diferente do esperado ou perder horas e horas do meu tempo planejando meu amanhã.

Eu sou grata a Deus que colocou em meu caminho pessoas que me fizeram ver como é chato ser metódica e perfeccionista como eu sou, e principalmente, por ter me permitido mudar e ser uma mulher menos encanada, menos programada. Sou feliz sendo assim livre e até maluca.

Posso dizer que sou uma mulher de fases, o que dá assunto pra umas milhares de linhas. Já fui tremendamente tímida, insegura, perfeccionista, desconfiada, defensiva, calculista, preconceituosa e afins, já me senti a melhor pessoa do mundo e tive uma auto-estima maior que um oceano, já achei tudo muito feio e lindo, e tudo muito chato e enjoativo.

Sou hoje, graças a bondade de Deus:

- forte - mas sensível a todos e a tudo que está ao meu redor;

- livre - de conceitos pré-definidos, de opiniões imutáveis, de verdades absolutas e repressões;

- intensa em todos os meus relacionamentos - super amiga de todos os meus queridos, disponível e muito leal;

- simples - não gosto de palavras difíceis, conhecimento inútil, relacionamentos por conveniência, objetos desnecessários, roupa de marca nem de cursos pra encher currículo.

- humana - não almejo a perfeição. Perfeito é Deus! E sem dúvida quero me parecer mais e mais com Ele, mas sei que estarei sempre tentando... Daí não me torturo!


Acho que, quanto menos temos, e mais humanos somos, mais valemos.


Chique pra mim hoje é ser simples!

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