quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Mulher Maravilha? Tô fora!

Me encontro numa fase "Sou mais Eu!". Já decidi priorizar as coisas simples e que realmente importam, como já escrevi por aqui. Minha família e amigos de verdade são os verdadeiros merecedores de minha atenção, e para o resto - trabalho e afins - só darei meu sangue quando efetivamente eu sentir que quero, que terei prazer, que faz sentido. Pois não vejo nenhum benefício em ser mãe, mulher, amiga, irmã, filha, profissional, estudante, cantora, escritora e mais o que for, se não curtir - e bem - cada uma dessas facetas de mim. De que adianta fazer tudo na correria, pra dar conta e cer perfeita, se o resultado sou eu em pedaços e me sentido sem rumo? Se no final pareço uma desequilibrada, que não concentra suas forças em nada, e vê resultados picados e insatisfatórios pois mal consigo comemorar as vitórias por estar tão cansada pelo que fiz e ansiosa pelo que ainda vou fazer?

Não adianta de nada! Quero mais é curtir cada detalhe! Cada momento com o Isaac, com o Heber e com o Samuel - que daqui a poucos meses estará aqui sorrindo e brincando. Cada dia com minha sobrinha, meus irmãos, minha irmã, meus cunhados e cunhada, minha mãe e minhas amigas. Quero mais é ter tempo pra compor minhas canções com inspiração em minhas vivências e menos em minhas angústias e preocupações.

Chega de preocupações. "Quem muito tempo se preocupa, tem menos tempo pra se ocupar". Quero deixar fluir a vida e viver cada coisa de uma vez.

Chega de planos demais e curtição de menos - já me testei e sei que até tenho condições de dar conta de trabalho por 12 horas, faculdade, banda, inglês e academia - o que quero de verdade é mais intensidade em cada coisa, e não um tanto de coisa de uma só vez.

Chega de parecer um polvo - com tantos braços pra suportar tantos afazeres. Quero dormir mais e ter tempo de ir ao salão de beleza mais vezes - tem coisa melhor que massagem capilar e drenagem linfática? E dormir até acordar? E aproveitar o cochilo do filho pra dormir também? Toda esparramada pela cama, com tempo livre pra preparar aquela salada de frutas ou uma vitamina poderosa? E namorar pela manhã e depois ver um filminho meloso em dia de chuva e tornar a namorar?

Ai! Chega de enumerar as vantagens em ter a agenda menos lotada e mãos à obra pra tornar isso possível! Porque com os pés no chão, sei que muitas coisas são necesárias - comprar nossa casa e me formar, por exemplo. Então só tô esperando fazer isso pra desacelerar de vez. Enquanto isso vou diminuindo o rítmo... Parando aos poucos... E curtindo cada momento respirando fundo e agradecendo a Deus de verdade, pois o que vale mesmo na vida é ser viver!

Li essa matéria e me identifiquei muito. Decidi postar pra todas que assim como eu estão mudando ou querendo mudar de vida.

O relógio toca às 6 da manhã. O corpo pede mais cinco minutinhos, mas você levanta num pulo (para não desistir no meio do caminho). O banho é cronometrado. O café-da-manhã e o jornal são "consumidos" ao mesmo tempo. Você sai de casa, apressada, pois tem que chegar logo ao escritório e terminar um relatório. O almoço é uma salada em cima da mesa – não engorda e dá para comer rápido. Fim do dia, você corre para a academia para tentar ficar mais próxima da figura de uma deusa. Aparece em casa e já é noite: dá atenção aos filhos, come qualquer coisa e pensa se não é o caso de estrear uma posição do Kama Sutra com o maridão. Só à meia-noite, você se permite dormir. A história lhe parece familiar?

por Danielle Sanches

É claro que você ainda teria de acomodar na sua agenda a leitura do livro que está na boca da turma, o último filme do Almodóvar, seu projeto de MBA, o curso de inglês, uma superdisposição para encarar uma balada e a compra daquele jeans que só você ainda não tem... Afinal, a gente tem de ser ótima como profissional, perfeita na faculdade, bacana entre os amigos, presente na família, assídua na academia, sem esquecer os atributos sensuais que toda mulher precisa ter. Gostosa, saudável, cheirosa, interessante, inteligente, jovem e cheia de estilo – ufa! Nossa cesta básica, condição para que sejamos amadas e felizes, está fi cando cada vez mais sofi sticada.Tanta perfeição, você sabe, custa muito caro – vive-se à beira de um ataque de nervos.

O mundo cobra mesmo, e muito. Mas, vamos falar a verdade: quem a colocou nessa cilada de mulher-maravilha foi você mesma. Será que o seu professor perderia o sono com a sua nota baixa? Se seu quadril aumentasse 1 centímetro, seu namorado iria embora? "Quem se propõe a se enquadrar perfeitamente nos padrões de excelência da sociedade acaba magoada, sem tempo de entender e atender os próprios desejos", explica o psicanalista Luiz Delfi no, de São Paulo. Pior: quanto mais afobada você fi ca para ganhar nota 10 em tudo, maior o risco de entrar no piloto automático.

tudo ao mesmo tempo

Estressadas pela pressão, nossas mães também eram. O desafio delas foi conseguir um emprego e assumir duas jornadas de trabalho, dentro e fora de casa. Hoje, no entanto, nós queremos mais. Queremos e precisamos de sucesso. Os homens não ficam de fora dessa batalha, mas, como lembra o filósofo Mario Sergio Cortella, a mulher, por sua natureza emocional, é particularmente mais vulnerável ao que os outros esperam dela. Além do sucesso, da carreira, da família, da casa, ela ainda tem a obrigação de ser linda para ser feliz. "Não é fácil encarar todas as cobranças da vida e ainda dar conta de se manter bonita, atraente e saudável. Isso gera muita tensão", explica a psicanalista Marina Massi, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo. A tensão vai se acumulando até chegar a um ponto em que as crises são praticamente inevitáveis. Estourar, na verdade, pode ser o alerta que você está precisando: "Toda crise é uma forma de chamar atenção para você mesma e lembrála de que merece e precisa ter suas vontades respeitadas", explica Luiz Delfino. O conselho desse especialista: se estourar, não se culpe, mas aproveite o recado para parar e reorganizar suas prioridades.

dispense os superpoderes

A boa notícia é que dá para continuar sendo personagem principal da sua vida sem os superpoderes do desenho. "Se cobrar demais e viver em função da avaliação dos outros é uma violência contra si mesma. Uma coisa é você ter idéias de referência, pessoas que você admira e que possam servir como inspiração. Outra é se subordinar a elas e sofrer porque não alcança o sonho de perfeição. Isso quebra a sua autonomia e gera angústia", diz Mario Sergio Cortella. Ter consciência de que talvez você esteja pegando pesado demais nas exigências com você mesma já é um primeiro passo e você, a essa altura, já sabe disso, certo? Segundo passo: assumir que não dá conta de tudo, que ninguém dá e não há nada de errado nisso. Terceiro passo: aprender a pedir ajuda na hora de cuidar da casa, dos filhos, saber compartilhar responsabilidades, delegar tarefas e não se considerar um ET por trocar uma noitada com as amigas pela confortável dupla "banho & cama". Assim, vai aos poucos aposentando a roupa de mulher-maravilha – e descobrindo que ser normal também tem o seu lado maravilhoso.

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