sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A volta da censura


O juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto, do 9 Juizado Especial Criminal do Rio, proibiu os jornais O Globo, Jornal do Brasil, Extra e O Dia e as emissoras de TV Globo, Bandeirantes, Record, Rede TV!, CNT e Brasil (ex-TVE) de veicular imagens e até publicar os nomes de três universitários que, em novembro, agrediram um grupo de prostitutas e travestis num ponto de ônibus, na Barra da Tijuca.

Recapitulando: Fernando Mattos Roiz Junior, de 19 anos, e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro, de 21, e um amigo menor de idade (portanto, com anonimato já assegurando por lei) acharam por bem despejar fumaça de extintor de incêndio sobre prostitutas e travestis que faziam ponto na avenida Lúcio Costa. Flagrados, eles foram detidos pela polícia.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando o pai de um dos criminosos, Fernando Mattos Ruis, afirmou, em entrevistas gravadas, que os adolescentes “não fizeram nada demais. Tem gente que faz coisa pior. Foi apenas uma bricandeira de criança. Qualquer um já passou por isso quando adolescente”.

Pelo preconceito de classe, o episódio lembrou a agresão sofrida sofrida pela doméstica Sirlei Dias, espancada por cinco jovens de classe média também na Barra da Tijuca. Eles justificaram a agressão dizendo ter confundido a doméstica com uma prostituta.Condenados a trabalhos comunitários, Fernando Mattos Roiz Junior, 19, e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro, 21, foram fotografados trabalhando como garis. A imagem que ganhou a capa dos jornais como um bom exemplo de punição à criminalidade juvenil.

O Sindicato dos Funcionários de Limpeza do Rio reclamou por considerar que os criminosos rebaixavam a nobre profissão dos lixeiros.

Em sua sentença, o juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto tenta ensinar aos jornalistas o que é e o que não é notícia. “Pouco interessa a origem ou classe social dos envolvidos, ou a profissão ou o gênero a que pertence a vítima: para ser isenta, a matéria deveria relatar um conflito entre dois jovens recém entrados na vida adulta (e, por isso, penalmente responsáveis ) e um outro ser humano (pouco importa se homem ou mulher) que foi agredido”, escreveu em sua sentença. Os órgãos de imprensa entraram com o recurso.

Só para lembrar: a censura acabou em 1985 e a Constituição brasileira garante a liberdade de expressão.
Fonte: O Filtro
Gostaria de saber porque meros mortais não tem escondidos os seus nomes e delitos, e sim esses mauricinhos o têm. Pois a justiça deveria usar o mesmo peso para qualquer cidadão, e não sentenciar em prol dos mais afortunados.
Por que é que não ficou no anonimato aquela mãe de família que roubou margarina para dar a seus filhos?
Triste a realidade!

Nenhum comentário: