quinta-feira, 17 de abril de 2008

Silicone ou não? Eis a questão!

Não levanto bandeira a favor nem contra a cirurgia plástica meramente estética, por enquanto não faria, mas após amamentar o Samuel, meu segundo filho que está pra nascer, pode ser que eu sinta necessidade de recorrer ao silicone - afinal, tudo muda né?


Quando os cirurgiões plásticos da série Nip/Tuck (Fox) perguntam às pacientes o que elas gostariam de mudar no corpo, apostamos que milhares de telespectadoras respondem na frente da tevê: "Aumentar os seios!" Ao menos é o que parece quando analisamos a quantidade de cirurgias para implante de silicone realizadas no Brasil. Só em 2004 foram 91.973, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) junto com o Instituto Gallup (que prepara nova investigação, a ser divulgada no segundo semestre).


O número bateu a queridinha lipoaspiração (86.793) e até a cirurgia de abdômen (83.493). "Ainda não temos dados oficiais sobre a procura pela prótese de mama em 2005 e 2006", esclarece Alexandre Mendonça Munhoz, doutor em cirurgia plástica pela faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP). "Mas a nossa vivência mostra que continua crescendo." A opinião é partilhada pelo presidente da SBCP, o cirurgião plástico Oswaldo Saldanha: "Acredito que, nos últimos oito anos, subiu mais de 200%".


Segundo os estudiosos, na década de 80, as mulheres procuravam as salas de cirurgia para diminuir o tamanho da mama. Hoje, o que elas querem é aumentar. "Pode parecer engraçado, mas os seios não saem da cabeça das mulheres", comenta o dr. Ewaldo Bolivar de Souza Pinto, membro do conselho deliberativo da SBCP. "As pacientes chegam ao consultório falando das atrizes que colocaram silicone e pedindo algo parecido." O problema, segundo o médico, é que muitas das turbinadas, famosas ou não, mentem sobre o tamanho da prótese, alegando que colocaram menos. "O difícil é explicar para a mulher que cada corpo precisa ser analisado de forma diferenciada e única."


Para acabar com suas dúvidas sobre implante de silicone, NOVA ouviu vários especialistas. Assim, você toma uma decisão de aumentar ou não os seios baseada em informações sérias e reais. Por exemplo: sabia que mais na frente terá de trocar a prótese? E que há mais de dez formatos diferentes? Comece a desvendar o que suas vaidosas amigas nem sempre têm peito para contar.


Não se engane, é uma cirurgia


Quem encara a inclusão de prótese como uma simples ida ao salão de beleza comete um erro grave. Estamos falando de um procedimento que requer exames pré-operatórios, como de coagulação e mamografia. Que custa entre 7 e 15 mil reais, leva de 40 minutos a uma hora e envolve cortes com bisturi, pontos, curativos, dor. Que exige a presença de um anestesista durante todo o tempo. "Como qualquer cirurgia, há riscos, e eles não devem ser ignorados", avalia o dr. Élvio Bueno Garcia, professor de cirurgia plástica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Entre as complicações, estão: possibilidade de infecção, choque anafilático (apesar de raro, há o perigo), endurecimento da prótese, abertura dos pontos, aparecimento de quelóide e de hematomas. "Para diminuir as chances de erro, a paciente deve procurar um médico da SBCP, que faça a cirurgia em hospitais de confiança nunca em clínicas e acompanhado por um bom anestesista", aconselha o dr. Munhoz.


A prótese não dura para sempre


Você não pode desconsiderar essa informação se estiver pensando em colocar silicone ainda mais se tem pânico de cirurgia. É bom até iniciar uma poupança extra, pois, se fizer o implante aos 25 anos, deverá ter verba suficiente para ao menos duas trocas. "A prótese não é definitiva, precisará ser trocada. Os modelos mais modernos duram entre 15 e 20 anos", explica o dr. João Carlos Sampaio Góes, membro titular da SBCP e diretor científico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. Com o passar do tempo, o organismo tende a isolar a peça como um corpo estranho, provocando uma contratura (endurecimento). Quando isso ocorre, varia de caso para caso. Daí a importância de manter contato com o cirurgião e fazer exames periódicos ao menos uma vez por ano.


Na frente ou atrás do músculo?


Depende. Levantar o músculo peitoral para colocar a prótese atrás é mais invasivo, o que, na prática, aumenta o tempo de recuperação e o retorno às atividades físicas, segundo o dr. Munhoz. Entretanto, essa opção retromuscular tem sua indicação: para pacientes muito magras e que não apresentam grande quantidade de glândula mamária (japonesas e chinesas, por exemplo). "Na frente, nesses casos, pode levar a um resultado artificial, em que as bordas da prótese ficam muito marcadas", esclarece o cirurgião. Já a colocação pré-muscular torna a cirurgia mais rápida e menos agressiva, além de exigir menos tempo de recuperação. Por fim, há uma nova técnica, chamada subfascial: a prótese é colocada abaixo da fáscia (espécie de pele fina que separa a mama do músculo). "Ela reúne as vantagens da pré-muscular com as da retromuscular (maior cobertura e boa camuflagem da prótese nas pacientes que são muito magras)."


Silicone X câncer


Não há estudos científicos comprovando que as próteses provocam a doença. "E é mito que o implante deve ser colocado atrás do músculo para facilitar a mamografia", diz o dr. Sampaio Góes. "O importante é o exame ser bem-feito, com aparelhos modernos e, de preferência, imagem digital."


O dia seguinte (e a semana, e o mês)


Normalmente a cirurgia é feita com anestesia local e sedação (há médicos que optam para anestesia geral) e a paciente pode voltar para casa no mesmo dia. Vale desconfiar de quem diz que não sentiu dor nenhuma, porque, ao menos nos primeiros dias, quem fez conta a sensação de estar carregando um piano sobre os peitos pode até ter certa dificuldade para respirar. Além de doloridos, eles ficam enormes por causa do inchaço. É por isso que alguns especialistas colocam drenos nas mamas por pelo menos dois dias. O ideal é não dirigir por uns 15 dias e ficar um mês sem fazer exercícios físicos. Durante esse tempo, é praticamente impossível dormir de barriga para baixo (dói). E, sim, querida, vai levar pelo menos uns quatro meses para você sentir os carinhos do namorado em seu novo playground.


Suingue brasileiro


Depois de quatro anos de desenvolvimento, o cirurgião plástico carioca Noel Lima, membro da SBCP, chegou a um novo modelo de prótese de silicone, que considera ideal. "Eu achava as opções disponíveis muito artificiais. Queria oferecer às minhas pacientes a chance de ter um seio sensual e bonito, e não um seio siliconado", diz. Feita em parceria com a Silimed, a prótese tem formato semelhante ao natural, proporcionando um resultado mais harmônico. Já está aprovada pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve custar cerca de 2 300 reais, ficando na média de preço das outras já existentes.


Mais de dez modelos diferentes


Desde o final da década de 90, vivemos a era das próteses de quarta geração: com mais camadas (oferecendo risco mínimo de rompimento) e feitas de silicone coesivo (parece uma gelatina, não se espalha). Além disso, os médicos escolhem o modelo de forma individualizada. "Levamos em conta o volume da mama, a largura, a altura e a projeção para cada tipo de tórax, de pele, de formato de mama", esclarece o dr. Munhoz. As três opções de antes redondo com perfil alto ou baixo, ou anatômico (gota) viraram 12 (por enquanto!) para atender a diferentes desenhos de corpo. É por isso que, para você, vale mais a opinião do médico do que aquela fotografia da tal famosa. "Sempre analiso a paciente e o que ficaria proporcional nela. Só depois penso no volume", diz o dr. Souza Pinto.


Estados brasileiros que mais compram prótese


1º São Paulo

2º Rio de Janeiro

3º Goiânia


Você quer mesmo turbinar?


Antes de procurar um cirurgião de confiança, pergunte-se:


Pôr silicone vai mudar minha vida?

Não vai. Você poderá se sentir mais confiante e sensual, mas não terá garantia nenhuma de que encontrará um namorado ou o trabalho dos sonhos.


Os implantes são para quem?

Muitos cirurgiões dizem que é comum as pacientes chegarem à consulta dizendo que querem colocar silicone para agradar o marido ou o namorado. Só que o corpo é seu, os riscos da cirurgia são seus, e quem terá que lidar com o resultado será... você. Por isso, pense de forma egoísta nessa hora e em mais ninguém.


Elas colocaram


"Morria de medo de ficar com um peito artificial, parecendo duas bolas. Por isso, optei pela prótese com caimento semelhante ao seio de verdade. Dito e feito: o resultado não poderia ser mais natural. Hoje, me sinto muito mais sexy." Cinthia Monnerat Rezinski, 27 anos, atriz"Estava tão insegura com o pouco peito que tinha que cheguei a evitar ir à praia. Depois da cirurgia, renovei o guarda-roupa com blusinhas decotadas e enfrentei o biquíni de peito aberto." Viviane Alves, 23 anos, vendedora
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Fonte: Revista nova

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