O jardim subiu na parede


Tendência mundial, o paisagismo vertical cultiva plantas e flores em muros, preenchendo de verde fachadas inteiras



JARDINS SUSPENSOS Em sentido horário, ambiente "Jardim do Pomar e Horta", exposto na Casa Cor 2008 (SP), onde o painel verde complementa o trabalho dos arquitetos paisagistas Caterina Poli e Sérgio Menon; fachada de uma casa no Jardim Europa, em São Paulo, cujo projeto é de autoria da Quadro Vivo, e o charme do paisagismo do botânico francês Patrick Blanc no shopping Emporium, em Bangcoc, na Tailândia

Esqueça a jardinagem tal qual é feita hoje. Ou seja, nada de gramados, árvores de raízes profundas e vasos de diversas cores e tamanhos. A tendência mundial do momento chama-se "jardim vertical". Trata-se de uma técnica que permite cultivar espécies de plantas e flores de diferentes tipos em muros, paredes e fachadas de casas e prédios. Para isso, instala-se um suporte especial para segurar as espécies com um sistema automático de regas.

Os entusiastas desse tipo de paisagismo se derramam em elogios para a novidade. Segundo eles, ela é a pedida do futuro. "Com cada vez menos espaço físico nos grandes centros urbanos, a crescente falta de tempo das pessoas para cuidar do verde e o grau de poluição do ar que respiramos, é a nossa melhor escolha", diz a paisagista Gica Mesiara, uma das maiores especialistas da técnica. "Os jardins verticais não ocupam espaço no solo, são práticos e, além de ajudar a filtrar o ar, são aliados na redução da poluição visual e sonora, pois funcionam como revestimento acústico para os ambientes", completa a profissional.

GIGANTE Fachada do mercado Les Halles, em Avignon, na França

Existem alguns raros paisagistas desenvolvendo o conceito de jardim vertical nesses moldes no mundo e criando maneiras, cada um ao seu estilo, de preencher com verde construções de concreto. O mais conhecido deles é o botânico e paisagista francês Patrick Blanc. Seu primeiro projeto ganhou vida no Parc Floral de Paris, França, em 1994. Atualmente, as mini-florestas de Blanc enfeitam prédios públicos, museus, hotéis, restaurantes, lojas e propriedades particulares em todo o mundo. Estão, por exemplo, nas fachadas da Fundação Cartier, em Paris, no Trussardi Café, em Milão (Itália), e no hall do National Concert Hall, de Taipé (China).

A brasileira Gica Mesiara, da empresa Quadro Vivo, não fica atrás. Desde 1994, quando patenteou seu primeiro produto com o conceito de jardim vertical, ela se debruça em experimentações para aprimorar suas invenções. Já decorou lojas, hospitais e residências no Brasil e exporta para países da América Latina, da Europa e para os Estados Unidos.

Gica possui dois carros-chefe. Um deles é o "quadro vivo", considerado objeto de decoração ecologicamente correto. A peça possui uma moldura que pode ser de madeira certificada ou acrílico reciclado e há quatro diferentes tamanhos, sendo que o menor é de um metro quadrado. Mas, no lugar de uma obra de arte, são cultivadas espécies como samambaias e orquídeas. O quadro tem um sistema integrado automático de regas – basta colocar água com fertilizante em um pequeno reservatório e um computador acoplado. "Fiquei muito feliz quando uma cliente me ligou para contar do nascimento de uma borboleta em seu quadro", conta Gica.

DENTRO E FORA Os jardins verticais podem ser montados externa e internamente. Na sala ao lado, de um apartamento nos Jardins, em São Paulo, o painel verde dá graça à decoração clean e minimalista que predomina no ambiente

O outro é o "painel vivo", que pode preencher paredes e muros de qualquer tamanho. Para isso, a empresa trabalha com módulos de um metro quadrado que se encaixam uns nos outros. A estrutura para segurar as plantas é de alumínio e o suporte para as espécies, de plástico – peças devidamente adaptadas para resistir a ambientes úmidos e áreas externas. Nesse caso, para que as plantas sejam regadas adequadamente, é preciso conectar a estrutura ao sistema elétrico e hidráulico do local em que será instalada. Tanto o quadro quanto o painel são desmontáveis e permitem mudanças físicas. Além disso, segundo a inventora, não vazam e não provocam infiltrações na parede.

A maneira de Patrick Blanc desenvolver um jardim, no entanto, é diferente. Ele usa uma estrutura de plástico e uma espécie de manta para prender as plantas. Burle Marx, o mais célebre paisagista brasileiro, costumava recorrer a placas de xaxim para fazer brotar flores em muros e paredes, até que seu comércio foi proibido, porque a samambaia de onde o xaxim é extraído entrou em extinção.

Os jardins de Patrick Blanc e Gica Mesiara não passam de versões modernas e hi-techs do que Burle Marx fazia na sua época. Em tempos de aquecimento global e altos índices de desmatamento, esses paisagistas tentam imprimir um pouco mais de verde e beleza na vida de quem mora nas grandes cidades. Que sirvam de inspiração.

Fonte: Isto É

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