25 dicas para seu currículo brilhar

 

1. Diga quem você é 
É exatamente aqui que começam os erros: nos dados pessoais. Escreva no alto da página seu nome completo, endereço (também completo), telefone, celular, e-mail, nacionalidade, idade, estado civil e número de filhos. E mais nada. Em relação aos três últimos itens há uma controvérsia - alguns consultores acham que devem ir no fim do currículo; outros, no começo. Faça como quiser, porque não muda nada.

Não se sabe por que algumas pessoas insistem em mencionar o número do RG, do CPF, da carteira profissional, do título de eleitor, do atestado de reservista... Para quê? Antes de escrever qualquer coisa, faça sempre esta pergunta a si mesmo: para que vou pôr isso? O currículo não é um contrato, em que os documentos e mais um monte de outras coisas precisam ser relacionados. O currículo é apenas um papel com o seu histórico profissional, que serve para quem vai lê-lo decidir se vale ou não a pena conhecer você pessoalmente.

 

2. Como definir seu objetivo
O que você quer tem que estar logo depois dos dados pessoais. É hora de deixar claro seu objetivo, o cargo, ou os cargos, e a área (ou áreas) que você pretende. Como dizer isso sem enrolar?

Veja o exemplo:

"Posição de diretoria nas áreas de logística, supply chain ou comercial"

 

Ao contrário dos profissionais experientes, quem está entrando no mercado deve explicar como quer direcionar sua carreira e por que escolheu aquela profissão. Segundo Claudio Neszlinger, diretor de recursos humanos da Microsoft, o texto pode seguir mais ou menos este raciocínio: "Quero agregar conceitos de marketing à minha formação técnica porque acho que assim vou me desenvolver profissionalmente".

 

3. Não seja um franco-atirador
Antes de mandar seu currículo para qualquer empresa, decida o que gostaria de ser e em que área desejaria atuar. Você pode até querer ser duas coisas, como gerente de marketing ou de recursos humanos. Mas ninguém normal quer ser dez coisas diferentes. Veja o exemplo que NÃO deve ser seguido:

 

"Atuar na área de recursos humanos, em todos os setores de cargos e salários, recrutamento e seleção de pessoal, área financeira (faturamento, agenda de pagamentos, composição bancária...), área de produção (desenvolvimento de projetos, controle de qualidade, controle de estoque...), área de marketing (viabilização de novos projetos, acompanhamento de campanha, estudo de mercado...) etc."

 

Seja honesto: você daria um emprego para um mentecapto desses???

 

4. Não embrulhe para presente
Colocar capas ou guardar o currículo dentro de pastas é puro desperdício de dinheiro. "Eliminamos tudo ao inserir o documento no banco de dados. Só aproveitamos o texto", diz Zoila Mendes Pinto, headhunter da SpencerStuart. O currículo não precisa ser uma obra de arte. Basta ser bom. Até porque a preocupação excessiva com a estética pode dar a impressão de que o candidato está "dourando a pílula" para disfarçar alguma falha. Portanto, basta utilizar folhas brancas (limpas) e grampeadas.

 

5. Tamanho não é documento
Quer fazer um grande favor para a pessoa que vai ler o seu currículo? Não a canse com páginas e páginas contando todos os pormenores dos seus grandes feitos. Use frases curtas e evite ao máximo passar de duas páginas. Vá lá, três é o limite, mas somente se você for um veterano. Caso seja muuuuito experiente e seus conhecimentos exijam mais espaço, faça um outro currículo com algumas páginas extras e segure-o com você. Mas você deve mostrá-lo apenas se for chamado para uma entrevista.

Pessoas com pouca experiência profissional não têm desculpa para passar de uma página. "Mais que isso vira enrolação", diz Claudio Neszlinger.

 

6. O seu tipo ideal
Alto, moreno, bonito... Epa, o assunto aqui é trabalho - estamos falando de ti-po-lo-gia. Fique com as mais simples - como a Courier, a Arial ou a Times New Roman. Elas facilitam a leitura. Também não tente aquele truque mais do que conhecido de diminuir o tamanho da letra para reduzir o número de páginas. "Letras miúdas demais dificultam o trabalho do avaliador e tiram a vontade de ler", diz Yonara Costa, da Simon Franco e Opportunity Consultoria. Qual o corpo ideal? Qualquer um entre 11 e 14.

E atenção: não abuse dos negritos, itálicos e palavras sublinhadas. Esses recursos só devem ser usados para organizar os dados.

 

7. Fale do que é capaz
Podemos dizer que o resumo profissional, o próximo item da lista, é o coração do seu currículo. É aqui que você vai apresentar uma síntese das competências que desenvolveu ao longo da carreira. E precisa entrar antes de citar as empresas em que trabalhou, porque este é o momento em que a pessoa que está lendo vai desistir ou ir em frente. Essa parte é a mais difícil, porque você vai ter que ser breve e, ao mesmo tempo, discorrer sobre as suas habilidades. Para facilitar, faça o texto em itens, como este engenheiro mecânico que está se candidatando a uma vaga gerencial:

 

Sólida experiência em uma série de funções nas áreas de vendas, manufatura, engenharia, gerência de projetos, relações governamentais, marketing, gerência de produtos, planejamento estratégico e gerência geral de unidades de negócios.


Dez anos de experiência internacional nos Estados Unidos e na América do Sul.


Capacidade de liderança, habilidades de negociação e comunicação, adaptabilidade a novas funções e novos ambientes, coragem e determinação para mudar paradigmas e visão estratégica de diferentes segmentos de negócios tanto no Brasil quanto no exterior.

 

Se você está começando sua carreira, ainda não tem muito o que contar sobre sua experiência profissional. Então, vá direto para sua formação acadêmica.

 

8. Por onde você passou?
Mencione somente as últimas cinco empresas em que trabalhou, em ordem cronológica decrescente. Gutemberg Macedo, diretor da Gutemberg Consultores, empresa de recolocação de executivos, aconselha escrever os dados da sua experiência profissional na seguinte seqüência: nome da empresa - se ela não for conhecida, descreva rapidamente seu ramo de atividade, sua posição no mercado, seu faturamento e seu tamanho em número de funcionários (a idéia é mostrar seu porte); cidade e, se for o caso, o país em que ela se localiza; a posição que você ocupava; e, finalmente, o mês e o ano da sua contratação e saída. "É importante mencionar isso para que o empregador saiba se você passou algum período sem trabalhar", diz Gutemberg.

Não se limite a dizer qual era o seu cargo. Muito mais importante que ele é contar o que fez na prática. É isso o que vai fazer a diferença - e é justamente esse um erro que grande parte das pessoas comete. Não adianta escrever: administrador financeiro, responsável pelas finanças da empresa. "É óbvio que um jogador de futebol joga futebol", diz o headhunter Robert Wong, da Korn/Ferry International. "O que quero saber é se ele foi capitão do time, se nunca recebeu um cartão vermelho e outras coisas desse tipo." Enumere as responsabilidades que tinha quando ocupou aquele cargo e os resultados que obteve. Sempre que possível, diga quanto a empresa lucrou com as suas ações. Veja como um gerente comercial descreveu as suas atribuições e realizações e siga seu exemplo:

 

"Gerente Comercial Divisão Laminados
Fui o responsável por vendas, marketing, exportação, importação, desenvolvimento de produtos e mercados e serviço de atendimento ao cliente. Vendas em 1999: US$ 84 milhões.


Elevei a participação de mercado no segmento de rodas de alumínio para caminhões de 5% para 95% em cinco anos, qualificando a Roda XYZ como padrão no modelo 1938 pesados Mercedes-Benz. O volume de vendas de 40 000 rodas em 1999 justificou a aprovação de um investimento de US$ 6 milhões para sua fabricação no Brasil."

 

Se você fosse um médico, poderia descrever suas realizações desta maneira:

"Implementei, juntamente com minha equipe, um programa de combate à febre amarela que resultou na redução de US$ 5 milhões nas despesas públicas com saúde.


Dirigi o Hospital XYZ durante oito anos e reverti seu delicado quadro financeiro por meio de parcerias com a iniciativa privada.


Operei, nos últimos 12 meses, 80 pacientes com problemas cardiovasculares, obtendo 100% de sucesso nessas intervenções."

 

Naturalmente, não há apenas uma maneira de falar sobre a sua carreira. Vicky Bloch, diretora da DBM, outra empresa de outplacement, sugere que você relacione suas competências com os resultados que obteve nas empresas onde trabalhou. O padrão sugerido pela consultora foi adotado por este profissional, que deseja ser o diretor industrial de uma empresa:

 

"Competência
Capacidade de implementação de políticas e procedimentos, evitando processos para a organização.


Principais Realizações
Implementei políticas e procedimentos internos para aprovação pelo departamento jurídico envolvendo contratos, embalagens e rótulos, comerciais em TV, rádio e revistas, procurações e serviço de atendimento ao consumidor. Por causa dessa atuação preventiva, evitamos problemas com o consumidor como, por exemplo, um recall."

 

9. Um currículo só não basta
Se há uma coisa que pode adiantar o expediente é fazer um currículo especial para cada empresa que você tenha em vista. É claro que antes você precisa saber em quais empresas gostaria de trabalhar - e não importa se há vagas ou não (qualquer empresa inteligente tem lugar para pessoas talentosas). A partir daí, terá que descobrir tudo o que puder sobre a companhia, sobretudo os problemas para os quais você tem solução. Internet, jornais, revistas e conversas com funcionários são fontes valiosas de informação. Essa é a única maneira de não gastar munição à toa. "Uma vez recebemos o currículo de um físico nuclear", lembra José Luiz Ferreira Gomes, consultor interno de recursos humanos da Copesul. Detalhe: a Copesul é uma companhia petroquímica e não tem espaço para esse tipo de profissional. Em outras palavras, tempo perdido para o candidato e para a empresa.

 

10. Seu diploma tem grife?
Não adianta negar: além da experiência profissional, a formação acadêmica pesa muito na hora do empregador se decidir por um candidato. É consenso entre os especialistas em carreira que quem não se graduou em uma universidade conhecida deve "reparar" essa falta fazendo uma pós-graduação numa instituição de renome. Não estamos querendo dizer que sem um diploma de primeira linha a pessoa não tenha chances de entrar e crescer numa boa empresa. Claro que o desenvolvimento depende muito mais dela mesma do que das escolas por onde passou. A questão aqui é: o que você tem a oferecer para a empresa? Ela quer alguém que já tenha provado que deu resultados em outras companhias (e para isso o profissional não poderá ser jovenzinho) ou alguém que tenha estudado numa instituição respeitada - porque, teoricamente, desses lugares saem pessoas com mais potencial.

Nunca se iluda quanto ao objetivo das empresas: elas querem gente talentosa, capaz de dar resultados. Isso é o que mais importa para elas. Se a pessoa está entrando no mercado e não tem como provar que é boa, passará pelo funil com muito mais facilidade se tiver um diploma de nome, falar inglês fluentemente, tiver estudado no exterior e coisas assim. Se já tem feitos que fazem os olhos brilhar, basta se manter atualizada.

Fale sobre sua formação acadêmica começando sempre pelo curso mais recente, com ano de início e de término. Basta relacionar o curso de graduação e pós-graduação (é ridículo colocar pré-primário, ginásio, primeiro grau etc.). Se você estiver pleiteando um estágio, terá mais uma razão para começar dizendo onde fez, ou está fazendo, a faculdade.

 

11. Nada de cursos relâmpagos
Só coloque os cursos complementares que fizeram você desenvolver alguma habilidade interessante para a empresa onde quer trabalhar. Aqueles seminários de uma tarde sobre relações humanas no trabalho definitivamente não interessam a ninguém.

 

12. Qual é sua língua
Em matéria de idiomas não existe meio termo. "Ou você é fluente ou não é", diz a headhunter Yonara Costa. Para evitar constrangimentos na hora da entrevista (sim, seus conhecimentos serão testados cara a cara), ela aconselha o candidato a subavaliar seu conhecimento de línguas estrangeiras. Ou seja, é melhor dizer que do francês você só sabe o básico do que afirmar que se vira muito bem - ainda que se vire razoavelmente bem. Ao contrário da faculdade, o nome da escola (ou escolas) onde você aprendeu inglês, alemão, espanhol ou seja lá o que for não importa a mínima. A não ser que tenha aprendido morando no exterior - aí, claro que tem que dizer.

 

13. Conte sua vida lá fora
O relato das suas experiências internacionais pode ser um item à parte ou distribuído ao longo do currículo. Atenção: viagem de férias para Cancún não é sinônimo de experiência internacional. Estamos falando de trabalhar e morar fora do país. Os candidatos a trainee que tiverem feito intercâmbio ganham pontos. Se tiverem trabalhado entregando pizza, limpando piscinas ou servindo em lanchonete, melhor ainda. Todas essas experiências dão à pessoa jogo de cintura e, de qualquer forma, aumentam a rede de relacionamentos.

 

14. Muito além do trabalho
Não há uma regra quando o assunto é listar, ou não, os seus hobbies e atividades fora do horário comercial (eles entram no item "informações adicionais"). Alguns consultores são de opinião de que escrever que você gosta de jogar tênis, que é um pé-de-valsa e tem prazer em ser o síndico do prédio é bobagem. Essas coisas devem ser deixadas para a entrevista. Mas não dê ouvidos a eles se a sua intuição disser o contrário, porque um determinado detalhe pode acabar sendo o diferencial decisivo. Quer ver?

Certa vez, Robert Wong foi contratado para procurar um diretor de recursos humanos para uma empresa em Brasília. Ele selecionou cinco candidatos, todos na faixa dos 45 anos, como queria o cliente. Apenas um tinha mais de 50. "Era um profissional muito competente. Achei que valia a pena tentar", diz Wong. Adivinhe quem foi o escolhido? Justamente o mais velho. E sabe por quê? "Meu cliente se encantou com o fato de o candidato ter dito em seu currículo que era um exímio preparador de churrasco. Ele também tinha esse hobby", diz Wong. É claro que ninguém é selecionado por adorar fazer churrasco ou ser campeão de natação. Mas isso pode ser uma pista sobre a personalidade da pessoa. Reunir os amigos para preparar um churrasco não deixa de ser um sinal de liderança, qualidade interessante para um diretor de recursos humanos.

Para os meninos e meninas que estão disputando um estágio, o item "informações adicionais" é a grande chance de chamar a atenção do empregador. "Não tenho vontade de entrevistar um jovem que não pratique esportes e nunca tenha feito um trabalho voluntário, diz Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor de recursos humanos do Grupo Accor. "Essas são realizações importantes na vida de um adolescente." 

 

15. Não minta jamais
Não diga que estudou em Harvard ou na Sorbonne se isso não for verdade. A headhunter Zoila lembra de um candidato que já estava nas entrevistas finais e mudava de assunto quando a conversa se encaminhava para o curso de administração que ele dizia ter feito na Fundação Getúlio Vargas. "Como não encontrava seu nome na lista de formandos, perguntei o que estava acontecendo. Ele confessou que não tinha terminado o curso", diz. Foi cortado na hora!

 

16. E omitir, pode?
A omissão não é considerada exatamente uma falta grave, afinal, o currículo deve trabalhar a seu favor, e não contra. Confessar algum erro logo de cara pode não ser uma boa tática. "Mas tem que dizer a verdade na entrevista", diz Prestes Rosa. Transparência é uma qualidade supervalorizada no mundo corporativo (ao menos na hora de entrar na empresa). Vamos aos exemplos: você pode omitir que não terminou a faculdade ou a pós-graduação - mas não pode escrever o ano em o curso terminou como se tivesse ido até o fim. Não precisa dizer a sua idade - mas não pode baixá-la cinco anos. Pode não revelar que a sua experiência maior é em marketing quando o que você quer é mudar para a área de finanças - mas não pode dizer que é um expert em finanças.

 

17. Você quer mudar de área
Isso costuma ser um problema para muitos profissionais, porque ao mesmo tempo em que eles querem ir para uma área que pouco conhecem, as empresas preferem que eles trabalhem naquilo que dominam. Mudar de área sem mudar de emprego é mais fácil - as empresas modernas incentivam o job rotation. Mas para mudar também de empresa a condição básica é ter as qualificações necessárias para atuar naquilo que deseja. Se for o seu caso, selecione no currículo as competências que julgar úteis para a nova atividade. Veja o exemplo do profissional que trabalha na área administrativa e quer passar para a comercial:

 

Competências:
Visão integrada dos processos componentes do negócio


Conhecimento prático e teórico de análises de informações de mercado


Análise econômica e financeira associada a desenvolvimento de parcerias e produtos


Gerenciamento de equipes centrado em desempenho, amadurecimento e compreensão do negócio

 

Se, no entanto, o candidato ainda não está preparado para mudar o rumo de sua carreira, deve se acostumar com a idéia de ganhar menos e ter uma posição menor durante algum tempo. "Não adianta achar que um cardiologista famoso vai se tornar um dentista conhecido da noite para o dia", diz Claudio Neszlinger. "É preciso se preparar para a mudança."

 

18. Às vezes, em inglês também
O.k., hoje o domínio de línguas estrangeiras, principalmente do inglês e do espanhol, é fundamental. Mas cometer erros de português, falando ou, pior, escrevendo, pega muito, muito mal. Talvez até pior do que não falar outro idioma. Escrever em bom português, porém, não se resume a não cometer erros gramaticais. Mesmo sendo o assunto pouco inspirador, o texto tem que ser elegante, instigante, gostoso de ler. Um bom professor de português ou revisor resolve os erros de gramática. A solução para o texto atraente e saboroso é pedir ajuda a um jornalista (mas tem que ser dos bons, como os daqui da VOCÊ s.a.).

Se você vai mandar seu currículo para uma companhia estrangeira, prepare uma segunda versão na língua oficial da empresa. Dependendo do caso, essa pode ser a única versão. Mas cuidado ao traduzir o seu currículo para outro idioma. Cada um possui estilos e expressões que só quem o conhece bem sabe utilizar. Não hesite em pedir ajuda especializada para essa questão.

E, já que o assunto é não cometer erros, não gaste seu latim à toa. Em vez de curriculum, prefira "currículo". Até porque, se for necessário dizer, você dificilmente vai acertar o plural de curriculum. É curricula, sabia?

 

19. Apresente-se ao seu chefe
A carta de apresentação personaliza o currículo e serve para esclarecer logo de cara se você é, ou não, uma das pessoas certas para aquele cargo. Prepare-se para escrever diferentes tipos de cartas de apresentação. Se você souber, por exemplo, o nome e cargo da pessoa que você gostaria que fosse o seu futuro chefe, encaminhe seu currículo diretamente a ela. É muito mais simpático e objetivo. Acrescente alguns dados sobre a empresa que sejam importantes para embasar seus argumentos (faça uma pesquisa antes e descubra tudo o que puder) e terá atenção dobrada.

Se for mandar o currículo para uma consultoria de headhunting, enderece a carta à empresa ou a um de seus consultores. Para ser eficiente, uma carta de apresentação precisa responder a três perguntas básicas: quem sou, o que quero e o que realizei na carreira. Tudo isso em, no máximo, 20 linhas - e terminando com um pedido para ser entrevistado. Veja como este candidato conseguiu enumerar as qualidades que tem para ser o diretor de recursos humanos:

 

"No atual palco de uma economia globalizada, a empresa moderna trava uma guerra em duas frentes: na primeira, a conquista de profissionais de primeira classe; na segunda, a fomentação de um ambiente que favoreça a permanência desses mesmos profissionais na organização.

Nessa guerra, o papel do gestor de recursos humanos é fundamental, visto que, uma vez sintonizado com as leis de mercado, irá usá-las em benefício de sua organização.

Durante os últimos anos, como Diretor Adjunto de Recursos Humanos do Grupo XYZ, tive a oportunidade de liderar uma equipe coesa e vencedora. É essa experiência que gostaria de colocar à disposição de V. Sa.

Nesse sentido, submeto a sua apreciação o meu currículo, que descreve de forma sumarizada meu nível de competência profissional.

Aguardo com interesse a oportunidade de uma entrevista pessoal, ocasião na qual descreverei os motivos pelos quais gostaria de trabalhar na sua organização. Peço a gentileza de contatar-me pelos telefones..."

Se você achou essa muito empolada, veja esta outra:

"Sou um executivo canadense com residência permanente no Brasil e carreira desenvolvida nas empresas ABC, DEF e GHI.

Meu objetivo é uma posição de direção na área comercial (marketing e vendas), ou de gestor numa start-up.

Ocupei cargos gerenciais nas áreas comercial, industrial e de exportação. Tenho forte vivência internacional nos Estados Unidos e na América Latina.

Anexo o meu currículo para a sua apreciação..."

 

20. Use palavras-chave
"Candidatar-se a uma vaga é exatamente como vender um produto", diz Robert Wong. Uma boa tática para estimular o leitor do seu currículo é usar verbos como realizar (um projeto), organizar (uma equipe), implantar (um novo processo), conseguir, atingir (metas ou resultados), motivar (pessoas), delegar (tarefas), criar e executar (soluções). Eles dão a idéia de uma pessoa superativa e realizadora.

Outra questão importante é a maneira como você vai falar de você mesmo. Só há duas possibilidades aceitáveis: usando o verbo na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito ("Implantei um sistema de cobrança automática que resultou na economia de 10% dos recursos utilizados para esse fim") ou apelando para os substantivos ("Implantação de um sistema de cobrança automática..."). Nunca faça como o Pelé, que fala de si próprio na terceira pessoa do singular, como se se tratasse de alguma entidade, e não dele mesmo. Isso é errado e pedante. Assim, em vez de dizer "implantou um sistema de cobrança automática...", diga "eu implantei....", ou "liderei a equipe que implantou...", ou ainda "integrei a equipe que implantou..."

 

21. Não fale sobre salário
Atenção: currículo não serve para fechar negócio, e sim para você ser chamado para a primeira entrevista (se conseguir impressionar). Por isso, nunca se refira ao pacote de remuneração da empresa anterior ou mencione suas aspirações financeiras atuais. "Esse assunto só deve ser tratado no dia da entrevista", afirma Gutemberg Macedo.

 

22. É brega mandar uma foto?
É meio estranho, sim (a não ser que você esteja de olho na Kodak, onde os cartões de visita têm a foto do funcionário). Apesar de um dos maiores problemas dos headhunters ser conseguir, alguns dias depois do primeiro encontro, lembrar do rosto do candidato, não convém já anexar uma foto ao currículo. Pode parecer exibicionismo. Em resumo: os brasileiros não estão acostumados com isso. Por outro lado, é conveniente levar uma fotografia (de preferência de terno) no dia da entrevista e perguntar se é o caso de colocá-la no seu dossiê. Isso certamente vai poupar trabalho aos headhunters que têm por hábito fotografar a pessoa logo depois da entrevista.

 

23. Por correio ou por e-mail?
Eis outra dúvida também recorrente: mandar o currículo por e-mail pega mal? Nem um pouco... mas pode causar problemas. O ideal seria que todas as empresas - a exemplo da Microsoft, do BankBoston e do Grupo Accor - tivessem em seus respectivos sites um questionário que faz as vezes de um currículo. A pessoa preenche os espaços em branco e o sistema manda a ficha direto para o banco de dados. Ou seja, é fácil para a empresa e mais ainda para o candidato. "Quando temos urgência, checamos diariamente a entrada de novos questionários", diz Neszlinger, da Microsoft. Outra vantagem desse sistema: fica mais fácil procurar um candidato pelos questionários, porque cada campo pode ser usado como item de busca, o que não acontece com os currículos que estão no papel ou fora desse padrão.

Se a empresa não tem o questionário online, a segunda alternativa pode ser o correio ou o e-mail. Não há um consenso sobre qual é melhor. Alguns consultores sugerem mandar o currículo como um documento anexo (torça para que consigam abri-lo). Outros se recusam a abrir documentos anexos com medo de vírus e preferem que o currículo venha escrito no corpo do e-mail. Fazer assim resolveria o problema se não eliminasse completamente a possibilidade de mudar o corpo da letra ou usar recursos como negrito ou itálico. A acentuação também pode ficar alterada. O que fazer afinal? Gutemberg Macedo aconselha o envio do currículo por carta, a menos que o e-mail seja solicitado pela empresa. "Assim, ele chega ao seu destino exatamente como você o preparou", diz. Luciana Sarkozi, da DBM, aconselha fazer tudo ao mesmo tempo. "Para agilizar, mande primeiro o e-mail e avise que está enviando também uma cópia em disquete e papel pelo correio", diz.

 

24. Atualizar é preciso
Pelo menos uma vez por ano ou sempre que houver alguma mudança significativa na sua carreira. Tocou um projeto que deu certo? Coloque no currículo. Sua equipe cresceu? Coloque também. O telefone mudou? Sua área fechou um grande negócio? Tudo isso deve ser mencionado. Mesmo que você não pretenda mudar de emprego, manter o currículo pronto ajuda a evitar aquelas bobagens que se escrevem por causa da pressa (quem não deixa o currículo para a última hora?).

 

25. Faça um diário profissional
Alguns consultores aconselham as pessoas a ter no arquivo pessoal uma espécie de diário profissional. As anotações servem para ajudá-lo a se lembrar de fatos importantes da sua carreira, o que é fundamental caso seu currículo resulte num convite para entrevista. Essa prática também facilita a atualização do currículo.

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