sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Escolha da Escola

Se a decisão for acertada, a instituição torna-se uma aliada da gente na tarefa de educar, já que, ao lado da família, acompanha cada passo da educação e do desenvolvimento da criança. Como a tarefa é complexa, exige tempo e paciência, é preciso começar já




1. Coloque na balança

Mensalidade, taxa de material, passeios. A família deve estar ciente de todas as taxas cobradas pela instituição, além da mensalidade. Muitas escolas cobram um valor de mensalidade mais baixo, mas material escolar, passeios e lanche não estão inclusos nesse valor. Outras escolas têm mensalidade mais alta, mas incluem todas as taxas no valor total.

2. Pra onde correr

Verifique instalações e estrutura física da escola. Como a criança será atendida na escola? Existe espaço físico para o seu desenvolvimento? A estrutura física faz diferença na hora da escolha. Se o colégio oferece estrutura com playground, brinquedoteca, sala de música, isso certamente enriquecerá o trabalho. Limpeza, organização e segurança são fatores que devem ser observados, óbvio.

3. Visita em tempo real

Visite a escola em horários de atividade. Não adianta visitar uma escola sem alunos, sem presenciar o dia-a-dia. Observar como as crianças estão no ambiente; como os funcionários as atendem; sentir se estão felizes, se estão tranqüilas, se têm amigos... Ou seja, ver de perto a dinâmica da escola (e observar como os alunos se comportam no espaço) é um jeito de avaliar a instituição.

4. Livros para ler (e não só para olhar)

Biblioteca completa e organizada. Uma boa escola deve ter uma biblioteca organizada por faixa etária, com acervo que atenda crianças de todas as idades. A biblioteca deve ter profissionais que orientem os alunos a retirar livros adequados e a cuidar e manusear os exemplares usados na escola, além dos que são levados para casa. Aulas e atividades realizadas dentro do espaço da biblioteca também fazem diferença, sim.

5. Não basta ter, se não usar

Questione como os recursos são utilizados na escola. Às vezes, a escola oferece muitos recursos – como computadores, salas de arte, laboratórios – que não são utilizados: ficam ali pra inglês, ou melhor, pai e mãe verem. Não adianta oferecer diversas opções se não há profissionais preparados para usar o que a instituição apresenta. Portanto, vale seeeeempre a pena perguntar: "Mas como isso é usado na prática?" Pergunte, pergunte, pergunte.

6. Escola depois da escola

Atividades extracurriculares. São sempre enriquecedoras, e facilita muito quando os cursos acontecem na própria instituição. A vantagem pode ser somente não ter de transportar as crianças durante o dia em meio a engarrafamentos e economizar nas mensalidades, que costumam ter desconto. Só não vale entupir a criança de atividades e deixá-la sem tempo para brincar. Também é preciso cuidar para que essas atividades sejam oferecidas por profissionais bem preparados.

7. Ferramentas de trabalho

Examine o material didático utilizado. Os pais devem observar se a qualidade do material didático é boa e, principalmente, de novo, de que modo esses materiais são abordados. Questione como as crianças trabalham com os livros e cadernos, quais são os livros indicados e se a escola tem material próprio. E peça para ver tuuuuuudo, claro. É muito melhor prevenir agora a ter surpresas desagradáveis quando seu filho chegar em casa com livros que você não aprova.

8. Quais são os seus valores?

Verifique se os valores da escola estão de acordo com os da família. Não adianta pôr o filho numa escola com uma filosofia totalmente aberta e libertária se seus valores, em casa, são rígidos. Você deve procurar uma instituição que esteja de acordo com os seus princípios para não entrar em conflito com o que você acredita e não causar problemas.

9. Você tem medo de quê?

Seus filhos estão em segurança? Não há como não se preocupar com essa questão hoje em dia. Como é feita a hora da saída? A criança pode sair sozinha da escola? Quando pessoas diferentes das habituais vão buscar a criança, como a escola procede? Conhecer as crianças pelo nome e suas famílias também é fundamental.

10. Uma, duas, três escolas

Examine se a continuidade é importante para você. Avaliar até que ponto a continuidade é importante para a família, em relação à formação de vínculos, de amigos, e se há preocupação em manter a mesma linha de trabalho durante toda a fase escolar. Se esses fatores são importantes para a família, procure uma escola que esteja de acordo com eles. Se você gosta da idéia de ver seu filho estudando a vida toda na mesma escola, escolha uma que começa na educação infantil e segue até o ensino médio.
11. Ouça seu filho

O que a criança acha da escola? Ao escolher a escola, avalie também se ela combina com as características de seu filho, além das suas. O que determina se a escolha foi boa ou não é a própria criança. Ela precisa se sentir à vontade na escola e estar feliz e motivada para o aprendizado. Caso isso aconteça, certamente terá sido a melhor escolha.

12. Professores antenados

Formação de professores. Quanto maior a especialização do corpo docente, mais bem atendida estará a criança. Todo professor deve ter, no mínimo, diploma de graduação na disciplina que leciona. Além disso, deve se atualizar sempre – a escola precisa incentivar a formação contínua de seus profissionais. Também é fundamental que o professor saia da escola, enxergue e questione o mundo além de seu universo profissional.

13. Hora extra

Almoçar e jantar na escola. Avalie as opções de horários que a escola oferece, se há a
possibilidade de o aluno almoçar ou jantar na escola ou se existe projeto de horas complementares. Muitas escolas oferecem atividades recreativas para as crianças que estudam pela manhã e ficam na escola durante a tarde ou vice-versa.

14. Adaptação

De crianças pequenas e alunos novos. Especialmente para os pais de alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, é importante avaliar como funciona o processo de adaptação à nova escola. Parece óbvio, mas nem sempre acontece uma comunicação clara e transparente. Não só as crianças, mas também os pais precisam ser assistidos no processo de adaptação, que deve ser feito de maneira tranqüila e gradual.

15. Portas abertas

Dúvidas? Pergunte aos educadores. A comunicação entre pais e escola deve ser aberta. Uma boa escola mantém esse canal de comunicação sempre aberto, agendando, além das reuniões em grupo, encontros individuais sobre as especificidades de cada criança.




16. Localização

Precisa atravessar a ponte? Nas grandes cidades, a escola deve ser próxima de casa, pois ficar no trânsito é estressante para pais e filhos. Algumas escolas têm sistema de transporte próprio ou empresas conveniadas.

17. Menos é mais

Quantidade de alunos por sala de aula. Ter muitos alunos na sala diminui a possibilidade de o professor dar atenção individualizada, sobretudo em séries iniciais. Quanto menor a criança, maior deve ser o número de educadores ou cuidadores. Experiências de atendimento a alunos não agrupados por faixas etárias são extremamente interessantes na medida em que permitem o estabelecimento de relações mais autênticas e variadas.

18. Pode, não pode

Limites claros e bem definidos. A escola deve ter limites de disciplina definidos e regras claras, como o uso diário de uniforme. Só não vale buscar na escola a autoridade que não se tem em casa...

19. Ball, duck, bye bye

Língua estrangeira. Nesse ponto há controvérsias e, mais uma vez, a dica é procurar a escola que melhor se adaptar ao que você acredita. Carine Conte, coordenadora do Colégio Renovação, alega que, quanto mais jovem, mais fácil é aprender. Já a psicopedagoga Céline Lorthiois não acredita na necessidade do ensino de segundo idioma para crianças pequenas, a menos que a família seja bilíngüe.

20. Brincar de ler

Contato diário com livros. Um diferencial de escola infantil é aquela que oferece, em toda sala de aula, livros desde o berçário até as séries de alfabetização. É no contato diário e lúdico que a criança cria intimidade com o livro, o que afetará positivamente seu desenvolvimento afetivo e intelectual.
21. Formação do professor

Autodidatismo e autoconhecimento. A formação acadêmica dos professores é importante, mas não imprescindível; a experiência e o autodidatismo são igualmente valiosos. Além disso, os professores precisam ter um real senso pedagógico, capacidade de acolher a criança, de questionar a própria atuação e poder contar com o suporte da escola ao serem confrontados com dificuldades no exercício da função. O trabalho individual do educador em direção ao autoconhecimento é primordial.

22. Perguntar não ofende

Conversar com pais de alunos e com os próprios alunos. Uma ótima dica, que já funcionou com muitos pais indecisos, é avaliar a consistência do projeto pedagógico por meio de conversas com pais de alunos que já freqüentam a escola e, se possível, com os próprios alunos.

23. Liberdade de escolha

Autonomia e desenvolvimento. Incorporar liberdade de escolha de atividades possibilita a auto-expressão e o autoconhecimento dos alunos. Por isso, é importante que o currículo se baseie nas necessidades e características das crianças. Principalmente na Educação Infantil, é importante privilegiar o desenvolvimento psicológico da criança e não o ensino de conteúdos. A tendência atual é desenvolver a capacidade crítica e a autonomia de pensamento com foco na formação integral da pessoa.

24. Brincar!

Valorizar a brincadeira, sem torná-la obrigatória. Na primeira infância, brincar deve ser a única responsabilidade da criança. Propiciar atividades lúdicas como forma de desenvolver a percepção e alimentar a curiosidade é o dever da escola e dos pais. Apressar o aprendizado, pulando importantes etapas, pode gerar problemas no futuro. O brincar tem papel importante na construção do conhecimento e no desenvolvimento infantil, levando a criança a se descobrir, compreender a si mesma e seus sentimentos e o funcionamento do mundo em que vive. Brincadeira espontânea e a fantasia propiciam no momento oportuno – o aprendizado e a alfabetização.

25. Antes do ABC

Alfabetização e letramento. Entender que o processo de alfabetização começa bem antes do ABC e que nada pode impedir uma criança psicologicamente sadia de aprender. Logo, é mais importante colocar os nossos conteúdos culturais à disposição da criança do que impô-los durante as aulas.

26. O terceiro educador

Espaços lúdicos e desafiadores. Com as famílias cada vez mais conhecendo e participando do processo pedagógico, sabe-se da importância de se ter ambientes lúdicos e estimulantes para o desenvolvimento infantil. Atualmente, os espaços são tidos como o terceiro educador, juntamente com a equipe de dois professores, na Educação Infantil.

27. A comunidade escolar

Espaços e momentos de convívio. Num mundo de apartamentos, a escola tem sido, cada vez mais, aquela a proporcionar o que antes tínhamos nos bairros. São reuniões para interação entre as famílias, festas com brincadeiras que agregam crianças e familiares. Observe quem são os pais dos alunos; se forem pessoas que tenham afinidade com você, já é meio caminho andado.

28. Hora da soneca

Descanso garantido. É importante que a escola propicie momentos em que as crianças possam relaxar e ter atividades mais livres e tranqüilas, num espaço aconchegante e acolhedor. Isso garante maior rendimento e aproveitamento do dia.

29. Meu lanchinho

Autonomia na higiene e alimentação. Observe se a escola auxilia as crianças a aprenderem cuidados básicos de higiene e alimentação, como lavar as mãos antes de comer, escovar os dentes depois das refeições, além da escolha do lanche. Se a escola tem uma cantina com doces e salgados, mau sinal.

30. Ambiente de trabalho

Salas de aula limpas e equipadas. As salas de aula devem ser amplas, arejadas e ter recursos, como material escolar para os trabalhos, e brinquedos. Deve ser limpa, mas não um ambiente frio – cada sala deve ter a cara de seu grupo, traduzindo a identidade de quem passa boa parte do dia ali.
31. Brincadeiras inusitadas

Espaços interativos. Todos os espaços da escola podem ser explorados. O corredor pode se transformar num ambiente onde as crianças se relacionem e interajam. Observe os murais da escola e veja se a instituição está conectada com o mundo. Cartazes sobre a boa utilização da água e outros temas demonstram o dia-a-dia dos alunos.

32. Amizade é tudo

Desenvolvimento social e relacionamentos. Qual a atitude do professor quando um aluno está sendo excluído? A escola estimula o convívio entre alunos de idades diferentes? O projeto pedagógico é o que permite o crescimento da criança em vários aspectos, tais como saber dividir, respeitar o outro, saber conviver com as diferenças...

33. A criança como um todo

A individualidade e a coletividade. É importante que a escola trabalhe com as diferenças de raça, de ritmo, de dificuldades. É preciso contemplar o desenvolvimento integral da criança: afetivo, emocional, cognitivo, corporal e expressivo.

34. Profissionais professores

Como os professores são escolhidos? Entender quais critérios a escola usa para permitir que o professor integre seu corpo docente é uma maneira de entender a qualidade dos professores. Outro fator a analisar é o acompanhamento e incentivo aos mestres.

35. 20 ou 120 km por hora?

Velocidades de aprendizado. Alguns alunos aprendem mais rápido. Como a escola se propõe a trabalhar esses diferentes perfis na m esma classe? Ou ela os divide em salas diferentes? O exemplo dos países bem-sucedidos em educação mostra que um programa de aulas de reforço é efetivo para fazer com que todos os alunos possam ser inseridos em uma mesma sala.

36. Protegendo a natureza

Preocupação com o ambiente. Não adianta fazer projetos sobre a importância da preservação da natureza durante o ano inteiro, se a escola não está envolvida com a questão ambiental. Não adianta fazer brinquedos com material reciclável se não há coleta seletiva na escola. Todas as disciplinas devem se preocupar em abordar, instruir e fazer com que os alunos se conscientizem sobre seu papel na preservação.

37. Responsabilidade social

A escola se preocupa com os outros? Observe se acontece na prática ou se não passa de discurso. Algumas escolas oferecem aulas para as crianças carentes da região, por exemplo. É uma maneira de ser socialmente responsável.

38. Escola nas férias?

Cursos de férias. Durante o recesso escolar, os colégios que oferecem uma programação interessante e variada de cursos e recreação saem ganhando. Principalmente nas férias de julho, quando muitos pais não podem viajar com seus filhos e optam por deixar as crianças na escola. Observe se as atividades que o colégio oferece durante as férias são adequadas – e não apenas um passatempo para as crianças.

39. Pular, correr, brincar

Atividades físicas no currículo escolar. O corpo é a maior e melhor forma de comunicação e expressão da criança. É pelo corpo que a criança experimenta e percebe a vida: coragem ou medo; insegurança ou segurança; concentração ou dispersão; prazer ou raiva. A atividade física possibilita que a criança conheça melhor seu corpo e consiga utilizá-lo para se comunicar de forma mais efetiva e clara. É também de suma importância que todo o aparelho motor e os músculos sejam desenvolvidos para que se estabeleça o equilíbrio físico necessário para a formação da criança.

40. Acreditar no futuro

"Mais que um dever, constitui responsabilidade inadiável de todo pai e toda mãe saber qual hospital pode atender seu filho, em caso de urgência. Da mesma forma, todo pai ou mãe que se preze e se orgulhe pelos filhos que possui sabe em qual ou quais lojas, de qual shopping, deve-se procurar os mimos que o acalentam. Mas, responsabilidade maior envolve a procura cuidadosa do pai e da mãe com relação à escola para seus filhos. O hospital é importante para o caso de emergências, as lojas são significativas para a alegria do lazer, mas a seleção de uma excelente escola é uma forma de se acreditar no futuro, de se cultivar com carinho e atenção as sementes que se plantou para inúmeros amanhãs". Celso Antunes, pai de Luiz Guilherme e Celso Henrique e avô de Francisco e Maria Eduarda, professor e educador.

Fonte: Revista Pais & Filhos

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