Renegociar as dívidas


Sophia Camargo

Está mais difícil pagar as dívidas. Segundo a Associação Comercial de São Paulo, de janeiro a setembro deste ano a inadimplência aumentou 14,1% em relação ao mesmo período do ano passado. E essa conta inclui apenas os novos inadimplentes.

A Serasa também já avisou: o número de inadimplentes cresceu 7,8% até setembro só neste ano. A expansão do crédito até pouco tempo atrás levou muita gente a financiar de tudo, de carro a TV de plasma, da casa própria a roupas. Quem não fez as contas agora está enrolado e o que é pior: com dificuldade de renegociar.

A culpa é da crise financeira que quebrou bancos pelo mundo e está dificultando a vida de quem precisa tomar crédito. É que os bancos não querem emprestar nem para quem tem nome limpo, quanto mais para quem está atolado em dívidas.

Com isso, fica difícil trocar a dívida cara por outra mais barata. Essa é a primeira recomendação para quem está endividado com financeiras, cartão de crédito ou cheque especial, linhas que tradicionalmente cobram os maiores juros do mercado.

Segundo Marcel Solimeo, economista da ACSP, um dos fatores que está puxando a alta da inadimplência é justamente a dificuldade de renegociar os débitos. "Antes era mais fácil aumentar prazos e diminuir os juros porque havia concorrência; agora está difícil porque o crédito está menor."

O que fazer?
Quando as dívidas se tornam impagáveis, a primeira solução é sempre tentar renegociar antes de ficar inadimplente. Mas se for impossível, há outros caminhos a seguir. Se a pessoa está empregada, é sempre possível tentar um empréstimo consignado, que cobra juros bem mais baratos.

O penhor da Caixa Econômica Federal também é uma alternativa, mas é necessário possuir alguma jóia para dar em garantia. A venda de bens só é aconselhada pelos consultores Marcos Crivelaro e Luís Augusto Matsukura se seguirem dois critérios. Primeiro: a venda do bem tem que resultar no pagamento integral da dívida, e, de preferência, ainda deve sobrar algum dinheiro.

Segundo critério: o devedor deve estar inadimplente por um motivo extraordinário, como desemprego ou doença na família. Se a pessoa for um endividado crônico, eles desaconselham a venda de bens. "Pela natureza enrolada da pessoa vai ser um alívio momentâneo. O ato de se desfazer do bem é a falência antecipada", explica Crivelaro.

Se não tem remédio, remediado está
Se a situação está totalmente fora de controle e a receita não é suficiente para cobrir os gastos, está na hora de parar tudo. "Se o montante da sua dívida for maior que a sua capacidade de pagamento não adianta nem renegociar", diz Matsukura.

É o caso da internauta Kátia G. Por e-mail, Kátia conta que perdeu o controle das finanças, incluindo cheque especial, cartões de crédito e empréstimos. Já vendeu imóvel, tentou renegociar, mas não está conseguindo quitar as dívidas. Ela tem um filho de 15 anos e o marido está doente. Até aluguel e escola ela parou de pagar. E pergunta o que pode fazer para solucionar seu caso.

Para Matsukura, Kátia terá de seguir um roteiro que todos os endividados deveriam seguir. Colocar todas as despesas e receitas num papel, verificar o que é essencial e cortar todas as despesas desnecessárias. Ela terá de constatar qual a sua capacidade de pagamento e deverá propor uma renegociação aos credores nas bases das suas possibilidades. Se for impossível fechar um acordo ou a receita não cobrir toda a despesa, ela terá que partir para a solução mais radical: priorizar o pagamento de algumas dívidas em detrimento de outras, diz Matsukura.

"Há um ditado que diz que o que não tem remédio, remediado está. A pessoa não pode deixar de comer, nem de morar. Chega uma hora em que não é mais possível continuar na escola particular, nem ter crédito. É preciso conseguir aumentar a renda para depois renegociar as dívidas em bases sólidas, que permitam que a pessoa quite as dívidas e não caia em nova inadimplência", explica Matsukura.

Segundo o consultor Marcos Crivelaro, pode parecer um conselho perverso, mas deixar de pagar algumas dívidas e ficar com o nome sujo, impossibilitado de tomar crédito, é uma solução radical, mas a única viável em alguns casos. "Há pessoas que, tendo crédito, mais e mais se endividam. Para estas, é preciso que deixem de ter crédito na praça, para aprender a reorganizar suas finanças."

Quem perde é você

O professor Crivelaro diz que ainda se espanta com a quantidade de pessoas que sofrem do que ele chama de "analfabetismo matemático". São pessoas que acreditam que atrasando o pagamento do cartão de crédito ou da prestação estão prejudicando o banco ou a loja, nunca a elas mesmas. "Entrar no crédito rotativo é a pior opção de financiamento", diz.

Os juros do cartão de crédito podem atingir 16% ao mês, e uma dívida dessa natureza aumenta muito rapidamente. "De um momento para o outro, a pessoa não consegue mais pagar". Por isso, quem quer usar cartão de crédito deve fazer as compras de modo a poder quitar a fatura integralmente no vencimento.

Outra dica é evitar pegar dinheiro emprestado sem necessidade. Um internauta nos conta que teve de vender um carro para pagar a dívida que sua mulher contraiu no banco. É que todas as vezes que ela ia retirar dinheiro no caixa automático, ela aceitava a opção que era oferecida de empréstimo na boca da máquina. Parece absurdo, mas acontece muito.
Uma coisa é certa: com menos crédito na praça e juros mais altos, sai ganhando quem gasta menos do que ganha e poupa para comprar à vista.


Fonte: Uol

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