sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sobre a amizade


Dia desses, voltando pra casa depois de um longo dia de trabalho estava refletindo sobre a amizade. Sobre como elas nos são de vital importância. Em como precisamos ter com quem dividir nossos mais íntimos segredos, como nos faz falta ter com quem contrar, em quem confiar, pra quem contar nossos segredos, ter quem confie na gente, ter quem de alguma forma precise da gente, e ter com quem partilhar nossas conquistas e também dissabores.

É muito forte essa força chamada amizade.

É muito intenso o sentimento que une os amigos. Seja aqueles de quem nossa vida faz parte há anos, ou mesmo aqueles que acabamos de conhecer mas rola aquela mágica empatia e identificação.

Nem sempre os temos por serem parecidos com a gente. Tenho amigos que divergem tanto da minha forma de pensar, que nem por isso são menos amigos, talvez, até mesmo por isso, é que me completam tanto.

Muitos a gente passa tempos sem ver, mas quando se encontra parece que nunca estivemos distantes, porque nossa intimidade não se abala e nossa cumplicidade se revela em coisas aparentemente tão insignificantes.

Tem amigos que a gente pensa que sempre poderá contar, e quando chega aquele momento em que mais precisamos sentimos como se tivessemos sido apunhalados pela sua neutralidade e afastamento - esses nunca foram amigos de verdade! Era apenas distração e talvez nós é que fomos amigos seus sem que eles nunca tenham sido nossos.

E que sensação ruim! Já me enganei assim na vida - fiquei meio sem chão e tentando entender o que é que tinha feito de errado, e como é que era possível gostar tanto da pessoa se ela "mudou de roupa" de repente, mas o engraçado é que não deixei de gostar dela e a querer bem, apesar de não saber se era ou não recíproco, porque tem amizade que é assim - incondicional: independe do outro nos ter como amigos.

Coisa estranha, mas que existe. Não a culpo mais. Afinal, quem é que não tem na vida um amigo que seja mais seu amigo que você dele? Que faz bem mais por você do que você por ele? Que gosta de você "de graça"? Tenho amigos assim: eu não fiz nada pra merecer a amizade e sinto que gosta tanto de mim. Então por que dicriminar o oposto, né?

O melhor tipo de amigo, na minha opinião, é não fazer dele um tipo. É ser e pronto. Não ter regras, nem horários, porque um conhece o outro tão bem que não se importa com formalidades e está pro que der e vier.

Está presente tanto pra diversão como pra necessidade. Você não precisa pisar em ovos pra lhe dizer nada, nem que por acaso, não está com paciência pra conversinha naquele momento.

Frases feitas pra falar de amigos são milhares, li muitas coisas sobre amigos, sobre amigos bichos como em Marley e Eu, sobre amigos de infância que se feriram como em O Caçador de Pipas, sobre amizade entre mulheres e seus efeitos benéficos para a saúde física e mental, mas acho que amizade de verdade a gente nem consegue descrever com a devida maestria merecida de tão intensa e serena que é ao mesmo tempo.

E sou grata a Deus pelos amigos que tenho: uns que passaram pela minha vida e apesar de não fazerem mais parte dela efetivamente e continuarem ou não em contato, tiveram seus momentos de importância e, principalmente, pelos amigos do presente e de presente, que abrilhantam minha existência e são a minha família eletiva.

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