sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A verdadeira amizade


Essa semana resolvi passar na locadora e pegar vários filmes - cinema ultimamente é bem difícil, pois não é muito fácil deixar pra trás as crias - e tenho visto todo dia, pelo menos um.

Dentre minhas locações, peguei O Caçador de Pipas, baseado no livro homónimo, que eu já li há um tempinho. Na maioria das vezes o filme é muito superficial e não consegue tirar a verdadeira essência e sentido do livro, ao menos é o que sinto, mas desse filme, apesar da ausência de muitos detalhes, eu gostei muito.

Ontem conversando com meu maridão refletimos e expusemos os temas abordados pelo filme. É claro que é estarrecedor e repugnante ver todas aquelas atrocidades cometidas contra o povo afegão, contra crianças e contra integrantes de grupos étnicos que são minoria, que por essa razão são tão assolados, além de como todo país sofre com invasões, guerras e ditadura. Mas me marca ainda mais, comparar o caráter daquelas duas crianças de personalidades e opções tão diferentes.

O rico, de etnia dominante, cheio de privilégios e que recebeu boa educação, é um covarde, egoísta, desleal, desonesto, mentiroso e impiedoso.

Já Hassan, pobre, passa a maior parte do tempo trabalhando pesado - principalmente para uma criança, discriminado, considerado inferior, é analfabeto, mas é completamente leal, companheiro, não guarda rancor, oferece a outra face, não pensa nos próprios interesses, mas vive em função da felicidade de quem é amigo.

Não que o outro tenha por ele amizade, isso não importa pra ele.

O que importa é que ele seja amigo do outro. Importa que ele ame e se ocupe em cercar de cuidados e realizações o pobre menino rico. Que tem tanto, mas não vale nada, que se omite, foge, ira-se e se empenha em afundar ainda mais Hassan, porque é covarde, não se arrepende - porque arrependimento gera mudança, mas sente remorso, culpa, e o que quer para se livrar desse sentimento é se ver longe do outro, sem precisar olhá-lo nos olhos.

Meu marido comparou esse amigo leal e que ama incondicionalmente a nosso Deus.

E no nosso relacionamento com Ele, infelizmente pra nós, é exatamente assim. Nós pecamos e nos afastamos, nos escondemos, culpamos a perfeição de Deus por nossas falhas, o culpamos por fazer de nós quem somos, não o agradecemos todas as coisas que faz por nós, não reconhecemos seu amor por nós, achamos que seus cuidados são sua obrigação, não damos a Ele atenção e só o procuramos quando precisamos d´Ele, quando alguém fala mau d´Ele, nem sempre, mostramos que estamos a Seu lado, na maioria dos minutos do nosso dia, nos o negamos através de atitudes das quais Ele não se agrada.

Tratamos nosso Deus como empregado, mas Ele nos trata com maior amor que um amigo de verdade pode ter. Mesmo com todas as nossas falhas e opções erradas que fazemos, Ele não nos condena e está sempre a espera de nossa mudança, tanto que nos deu um advogado - Jesus.

Se você quer ser tão amigo de Deus quanto Ele é seu, comece a valorizar seu relacionamento com Ele. Comece a espelhar suas atitudes nas d´Ele.

Somos falhos, erramos mesmo quando queremos acertar, mas não faça de suas limitações desculpa pra viver no erro. Passe a se esforçar mais em cultivar sentimentos, palavras e atitudes que o próprio Deus teria nas situações do seu dia-a-dia.

Deus vai te ajudar.

Se já cuida de você sem você fazer por onde, imagine quando Ele começar a ver florescer em você e, através de você, as qualidades que nem você sabe que tem? Mas que Ele, que te criou, e conhece bem lá no fundo, sabe?

Tenha uma amizade verdadeira com Deus e com o próximo.

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