terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A vida acontece hoje


Não sou, nunca fui, nem pretendo ser exemplo de vida ser imitado por ninguém. Pois acredito que cada um é cada um, e tenho meus altos e baixos, às vezes meto os pés pelas mãos e sinto o amargo gosto das consequências de muitos erros pela vida afora. Aprendi tanta coisa nesses meus 28 anos! Mas ainda não sei nada da vida, continuo aprendendo com minhas próprias experiências e crescendo dia após dia, movida pela sede de querer saber sempre mais, me analisando, buscando me entender e a tudo o que me cerca. Fico filosofando, sem maiores pretensões, sigo pela vida pensando muito nela, mas não deixo de viver por estar pensando.

"Penso, logo existo". E como penso! E como faço meu existir!

Não nasci ontem, e sei que se vivesse movida apenas pela razão, ou ao menos me levasse mais por ela que por minhas emoções, talvez tivesse mais coisas.

Mas o que são coisas sem o prazer de viver?

Mas o que são projetos se o tempo nos escorre pelas mãos com tanta rapidez e, quando, enfim, passadas décadas de privações, os concluímos, nos lembramos de que nem temos mais saúde ou energia pra deles desfrutar? Ou até perdemos o porque de ter tal projeto, se o que passa a ser importante não é o fim, e sim o ter sempre um motivo, um plano?

Me arrependo por meu jeito intenso e apaixonado de viver o presente - mas só por alguns segundos.

Não suportaria passar a vida toda esperando comprar todas as coisas grandes, pra então, viver as pequenas. Pois são nas pequenas coisas e nos momentos que muitos desprezam que residem minhas maiores alegrias.

E as lembranças? Tenho muitas tão felizes de momentos que custaram tão pouco...

Se você pensar bem e calcular na ponta do lápis, a soma desses pequenos investimentos me daria uma bela quantia, capaz de adquirir coisas grandiosas.

Mas e as pequenas? E todas essas histórias que carrego comigo?

Não existiriam e seriam todas reduzidas a umas poucas?

Não quero! Não quero deixar de ser como sou. Não quero ficar fazendo planos e vivendo de sonhos grandes enquanto a vida passa. Claro que tenho planos grandes, mas não vou abandonar os pequenos de jeito nenhum, porque são esses que me dão força pra conquistar os grandes. A tempo pra tudo! Já dizia o Rei Salomão.

Viajo quando dá, me alimento bem, sim, me visto com o que tenho vontade, me divirto e ninguém tem nada com isso! Só porque escolhem viver de coisas "maiores" desdenham minhas alegrias e coragem de viver o agora. Se privam de tantas coisas que nem as sabem aproveitar mesmo quando é outro que paga a conta. São tão preocupados com centavos a mais ou a menos que se esquecem que a coisa mais valiosa na vida é a família, que a infância passa, a saúde se acaba, que a traça e a ferrugem corroem tudo que o dinheiro pode comprar, menos os momentos felizes como os que passamos juntos, sem brigas, sem insinuações de quinta, sem inveja, sem gente se fazendo de coitadinha, sem ficar fazendo conta de quanto foi o presente do filho e sem ficar me perguntando quanto custou tudo que me cerca.

Quisera eu, que ao menos se alegrassem com a minha alegria e me julgassem menos. Já que pra eles alegria é conquistar coisas.

Por que é que quando a gente tá numa pior sempre encontra alguém disposto a ajudar e a nos escutar, mas quando estamos bem, raras são as pessoas capazes de comemorar conosco e de ficarem felizes com a nossa conquista?

Escutei uma vez que, amigo não é o que está do seu lado na derrota, mas o que é capaz de comemorar com você suas vitórias. E é mesmo!

A maioria das pessoas gosta de ver o outro na pior, até oferece ajuda, se compadece, porque gosta de ver - e mostrar - que está melhor que o o pobre coitado. Mas quando é o outro que está numa boa não é capaz de ficar alegre junto, não comemora junto, não o parabeniza, faz é comentários do tipo: "Você tá podendo, hein?", "Quem sou eu?" carregados de desdém, de vontade de estar no seu lugar, de ambição, de inveja podre, mesmo!

E a gente se sente tão mal. Puxa vida!

A gente gosta de comemorar as conquistas: a promoção no trabalho, o relacionamento que vai bem ou simplesmente o prêmio que ganhou no sorteio, e a gente pensa que o outro vai ficar contente pela gente, que as pessoas que tanto amamos vão ficar felizes e que vão comemorar conosco. Mas que nada, nessa hora a gente descobre que tem muito poucos amigos de verdade, e que pra nossa surpresa, até os da nossa família se revelam egoístas, tão mais interessados em suas próprias vidas e que são capazes de dizer horrores pra tentar diminuir a nossa alegria.

Frustrante, ?

Preciso pensar e sentir, como na música do Jota Quest:

"Quer saber, já foi, vou cuidar de mim, quer saber eu quero alguém pra dividir, gostar de quem gosta de mim."

Mas a gente não sabe identificar isso assim, de cara, então quando descobrimos já é tarde, e em muitos casos, nos resta continuar gostando e torcendo pra que algum dia o fulano ou a fulana também gostem da gente. Aliás, talvez até gostem de verdade da gente, mas de uma forma diferente do que eu gosto. Porque eu comemoro junto, peço a Deus pra fazer a pessoa se dar bem em tudo, fico louca pra saber das novidades pra dar os parabéns, pra festejar, sabe. Aprendi a ser assim, gostar das pessoas, apesar de todas as falhas que elas tem para comigo, apesar de todas as decepções, o que não me impede de acreditar que um dia terei mais amizades verdadeiras.

Tem uma vantagem em você não se guiar muito pelo sentimento dos outros e sim pelos que você carrega em si: da mesma forma como gosto independente do outro, também não me firo por causa do outro. Mas não cheguei plenamente nesse ponto, ainda!

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