sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tempo


Num dia desses, espreguiçada no sofá, com o Isaac adormecido ao canto, acariciava seus pezinhos, pensando na vida. Vago isso de "pensar na vida", não? Penso que a vida é exatamente como diz o escritor de Eclesiastes: que nada há de novo, que tudo o que é já foi e o que há de vir também já foi.
É estranho correr atrás de coisas novas, de mudanças e de grandes conquistas, pois quando paramos pra refletir, nos deparamos com a mesma sensação. A de que já vimos esse filme, a impressão de já conhecermos o final, e mesmo assim, ficamos ansiosos, preocupados, tensos e cheios de expectativas.
Dizemos que queremos isso ou aquilo, que depois de alcançar tal objetivos sossegamos. Sossegamos nada! Somos insaciáveis! Somos incansáveis!
Não que sejamos de aço e não sentíamos os efeitos do tempo e dessa corrida rumo a lugar nenhum, apesar de acharmos que vamos chegar a algum lugar. Mas mesmo cansados física e emocionalmente, não damos um tempo, não descansamos, não desligamos os motores, nem esfriamos a cabeça. Sempre quermos mais e mais.
Se estamos de férias, por acaso, nos desligamos completamente do trabalho? Não! Continuamos on line no MSN, Facebook, Orkut, Blogger, Twitter e não sei mais quantas formas de contato e círculos sociais. Abrimos nossos e-mails frequentemente, conferimos as últimas notícias, planejamos o que fazer com o 13º, calculamos quanto vamos ter que desembolsar pro leão ou se receberemos algo de restituição do IR, vemos a oscilação das bolsas de valores e do Euro e Dólar, pois acreditamos, que mesmo isso não tendo muita influência direta sobre nossa vida, nem a nossa vida sobre tudo isso, se perdermos uma só informação dada pelos quatro cantos do mundo, seremos menos importantes, menos inteligentes, menos empregáveis, menos gente, menos e cada vez menos.
E o celular? Como viver sem essa maquininha que encontra quem a gente quer onde quer que esteja, que recebe atualizações de tudo em forma de "torpedos" e mensagens, que não nos deixa mais nem tirar a sonequinha de domingo à tarde em paz, pois basta fechar os olhos e já tem alguém chamando. E desligamos? Não, pois podemos perder algum telefone imperdível ou mensagem indispensável. E queremos que a pessoa que chamemos responda assim? "número chamado está desligado ou fora da área de serviço"? Não! Isso é quase a morte!
Faz parte da nossa natureza querer estar entre os que se destacam na nossa cultura, e mesmo sabendo que crises vem e vão, que lançamentos são passageiros, que empregos são transitórios e pessoas entram e saem da nossa vida, e que, o mundo simplesmente, dá voltas, onde quem hoje está por cima, poderá não estar amanhã, e vice-e-versa, persistimos na ideia absurda de querer entender as coisas a fundo.
Mas como em nossa tão globalizada vida, conseguir entender nós mesmos a fundo?
Não dá! Não temos tempo pra relacionamentos além do superficial, nós conhecemos pouco, permitimos ao outro nos conhecer menos ainda, e depois nos queixamos de não ter amizade verdadeira. Temos um milhão de amigos, mas nos vemos sozinhos, à maior parte do tempo. Porque solidão existe mesmo rodeada de gente amiga, pois o próprio significado de amizade mudou - mas isso é assunto pra outro texto.
Penso na vida que meu filho terá, em como será sua adolescência e juventude, em como pensará e verá a vida quando estiver velando o sono do meu netinho. Sei que muitas coisas terão mudado, outras tornado a ser, mas sei que esse tipo de momento vai se repetir também e, espero, de todo o meu coração, que ele tenha mais respostas que posso dar agora. Pois ando tão cheia de indagações e incertezas, que a única certeza que tenho, é que nada acontece por acaso, e não cai uma única folha da árvore se Deus não permitir.
Precisamos desacelerar o ritmo de nossos dias e nos voltar pra Deus - Ele nos criou pra termos relacionamento íntimo com ele, e distantes, longe, correndo, não o alcançaremos.

Um comentário:

danuzza disse...

ooooun... obrigada! que delicadeza!
vou passar sempre por aqui tbm! adorei seu blog!!!

beijo!!!