Flexibilidade do Bambú


Conhecer a si mesmo é, se não a maior, uma das maiores riquezas. Eu não me conheço tanto quanto deveria ou tão profundamente quanto quero. Estou buscando.

Sei que falo demais, às vezes (muitas) sem pensar e na hora errada. Acabo dando bom dia pra cavalo. Eu penso alto e rápido demais, diz o Augusto Cury que é a tal Síndrome do Pensamento Acelerado. Não consigo parar de pensar, tenho dificuldade de organizar meus pensamentos pra passar ao meu interlocutor exatamente o que eu quero que ela entenda. Eu engulo palavras e falo muito rápido, deixando perder o sentido coisas que queria mais pessoalidade. É difícil me conter... Até dirigindo, rrrsssss.

Mudar, adaptar. Ser flexível. Tem gente que adora meu jeito falante (ainda bem!), mas tem aqueles que acham que é afetação, vontade de aparecer e etc. Pra viver bem com os diversos tipos de pessoas, estou aprendendo a escutar mais, conhecer melhor as pessoas pra ver se fazem parte das que gostam de me ouvir ou se devo me calar.

Envergando como bambu...

Sou leal e verdadeira. Ah! Isso é algo que eu deveria ser menos. Não sei fingir contentamento, dar sorrisos amarelos e puxar saco de quem não me agrada. Se é grosso comigo, provavelmente, não serei muito doce. Falo direto e reto, sem grosseira, mas claramente. E se não suporto uma pessoa procuro conhecê-la melhor, pra ver se cai o preconceito ou se é mesmo impossível. Se nada muda o que faço é conviver o menor tempo possível, conversar o estritamente necessário - não adianta forçar, vou acabar sendo indelicada e reagir negativamente se "o santo não bater" (e isso é coisa mais rara do mundo, me dou bem demais com "geral"). 

De novo entra a flexibilidade.

Mesmo não agradando muito, procuro achar alguma utilidade (ou necessidade) no convívio e vou aprendendo a ser gentil (apesar de a recíproca não ser verdadeira), e a rir junto (sem achar muita graça e sem parecer cínica).

Não gosto de segredos e me causa arrepios ver alguém cochichando perto, como se eu fosse o alvo do burburinho. Se quer falar e eu não posso saber sai de perto, por favor! Minha curiosidade aguça, meus sentidos se potencializam. Ainda mais quando acontece lá em casa, quando minha irmã e mãe estão cochichando tenho vontade de quebrar alguma coisa (ou alguém, né?).

Sabe, a envergadura de um bambu é ainda mais necessária com os de casa. Porque a intimidade é dureza! A gente fala o que quer, escuta o que não quer, fere e se machuca. Daí há pouco tudo volta às boas, mas fica lá restinho de mágoa, palavras mal ditas que martelam e voltam à tona na próxima discussão, ou simplesmente, ficar remoendo.

A verdade é que gente não muda as pessoas, a gente se muda, a gente se enverga, se torna muito flexível e forte pra resistir e continuar firme em quaisquer situações. Não importa se a pessoa não gosta de você porque fala muito ou é calada demais, não importa se o outro é falso e dissimulado e você verdadeiro, não importa se fofocam a seu respeito e te incomodam. Importa o que você sente e a forma como reage a esses sentimentos todos.

Não brigue pra mudar o outro, não fique alterado desperdiçando energia com quem não quer conselhos. Controle-se pra não deixar que o outro altere seu humor ou atrapalhe seus planos.

Vou seguindo certa de que estou cada dia mais flexível, cada dia mais focada na minha felicidade e realização. E o caminho é o mais interessante.

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