Felicidade é assim



Tive consulta com ginecologista esses dias, e apesar de ser consulta chatinha (não é mesmo, mulheres?) sempre volto de lá melhor do que fui. Vou explicar. Acompanha-me desde a gravidez do mais velho. São quase sete anos, então, afinidades se revelam, e quando o “santo bate”, se torna mais que uma simples consulta médica. É troca de confiança, entende? Parece papo de comadre. O que gosto é que ela é como eu: transparente demais. Amem-nos ou nos odeiem, pois falamos o que achamos e se não quer ouvir, não dê liberdade, ok?

Um dia contei de uma conversa em que ela brigou comigo por ter ganhado mais peso que deveria na gravidez e uma amiga disse pra eu trocar de médico, que era grosseria dela. Mas não era não, era sinceridade, era um fato. Engordei muito na gravidez do caçula, e quando ele estava com quase um ano eu ainda estava parecendo essas mulheres fruta (graças a Deus pela genética da vó Manuela que herdei, os quilos a mais vão direto para coxas e bumbum que o marido amava, mas eu não, porque a gente perde a liberdade de usar a roupa que quiser, pois quase tudo fica vulgar).

Há algum tempo atrás, o puxão de orelha foi outro. Eu tinha perdido o ar menininha de antes da maternidade (que bom!), ficado mais mulherão (bom demais!), progredi na carreira (oba!), mas faltava cuidar de mim. Apesar de ter emagrecido, estava sedentária e com cara de quem carrega o mundo nas costas. E era verdade! Eu não fazia nadinha que fosse unicamente meu. Todas as horas do meu dia eram para filhos, trabalho, marido e casa.


Eu me desdobrava para, pessoalmente, levar e buscar os meninos da escola. Acordava mais cedo, preparava tudo e ainda aguentava as comuns lágrimas de despedida, que me cortavam o coração e me faziam demorar um tempinho para voltar ao normal. Quem é mãe sabe: se é a mãe que leva fazem aquele charminho, depois que a gente vai embora, se voltarmos em 5 minutos os veremos brincando e se divertindo numa boa, mas na despedida, fazem aquele drama, e isso despedaça o coração das mamães. Nos deixa menos produtivas e nos faz sentir culpadas de abandono, mesmo não sendo.  Foi ela, minha médica, que me disse que já passara da hora de arrumar van ou motorista para levá-los para escola e que assim eu teria mais tempo livre, tempo pra cuidar da minha vida pessoal. No começo foi assim: mais velho adorou, se sentiu independente. Mais novo ficou carente, dramático e chorão. Reclamava que queria que eu o levasse e buscasse. No início, fiz algumas exceções, e aos poucos fui deixando de ir. Agora só vou buscá-los em dia de reunião ou quando estou de folga. É momento de surpresa, de sair da rotina. Uma obrigação a menos! E tempinho a mais para minhas coisas.

Aos poucos a gente vai soltando. Necessário. Quero filhos independentes e cheios de autoconfiança. E isso deve começar na infância. Vou dosando carinho e independência, para que não se sintam largados e carentes, que apreciem as mudanças. Que não são porque eu não quero ou não posso, mas sim para que eles sejam mais fortes e aprendam a se virar.

Essa última consulta foi só de elogios! Minha saúde está perfeita - graças a Deus! Estou com cara cheia de vida e tals - rrrssss. “Percebe-se que você está dando conta de tudo e está feliz! Radiante!”.

Felicidade é assim: dá mais formosura para nosso rosto (mesmo!). É bíblico isso! A pele fica melhor, a gente se sente plena, vem de dentro pra fora e irradia. Todo mundo percebe! Por isso não sou neurótica com coisas relacionadas a estética, beleza. Gosto de me cuidar, mas acho que o principal é cuidar da alma, organizar a vida e aceitar aquelas coisas que não dependem da gente.

Aí, eu até aproveitei para falar de cirurgia. Nunca tinha pensado em fazer ligadura de trompas, mas talvez seja a hora de ficar livre do anticoncepcional e seus efeitos colaterais, já que a certeza de que não quero outro filho é real desde o nascimento do caçula (marido tá enrolando para realizar a prometida vasectomia, pois na verdade ele, nada secretamente, deseja mais um filho e sonha em conseguir me convencer - em vão). Minha única dúvida é realizar a cirurgia, não gosto de ficar dependente de nada nem de ninguém e, durante a cirurgia, e após ela, ficamos muito frágeis. Então, estou pensando...

O que vocês acham dessa cirurgia?

Beijinhos

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