sexta-feira, 10 de maio de 2013

SMS WhatsApp e etc


SMS, WhatsApp, Messenger, Email, Gtalk, Facebook, Twitter, Skype, telefonemas… Em tempos digitais, nunca foi tão fácil mostrar que a gente se importa pra gente que importa pra gente. É muito fácil dizer que sente saudade, contar as notícias do dia, jogar conversa fora, só dizer “Oi!” ou “Bom dia!”.

Tenho amigos que me “incomodam” com carinho até altas horas da madrugada. Já deixo o celular no toque “silencioso” à noite, que é pra não acordar a casa toda com aquele passarinho. Eu adoro esse carinho! São amigos tão queridos e amigas fofas que se lembraram de alguma coisa que tinham a dizer e dizem a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada não deixam de chamar. Durante o dia a correria pode nos afastar, mas estamos sempre conectados, nem que seja só pra lembrar que lembramos um do outro. A distância não existe: Ciely e Kell moram no Rio, Jú do outro lado do oceano, Lu em Sampa, Rosi em Santa Catarina, Ricardinho e Jônatas no bairro vizinho, e por aí vai. Não existem limites nesse novo mundo. A gente pode se falar sempre.

Aí você encontra com gente que diz estar morrendo de saudade, mas nunca demonstra. Que você está sumida, mas até curte suas publicações. Ou seja, sabe muito bem como te encontrar eletronicamente e não o faz porque não quer. Ou é avessa à comunicação digital e só dá atenção ao quem está ao alcance das mãos, como meu marido, a família dele mora a três mil quilômetros da nossa casa e ele se permite poucos telefonemas ou mensagens, diz que fazem é aumentar a saudade, então só usa mesmo para ter notícias. Mas mesmo assim, vez ou outra usa.

Hoje, não precisamos enviar uma carta pelo correio e esperar demoradamente que ela chegue, não precisamos procurar o endereço novo, não precisamos enviar sinal de fumaça, não precisamos fazer nada que apresente certo grau de dificuldade para conseguirmos nos comunicar, porque os meios de comunicação estão a apenas um toque dos dedos, fáceis, rápidos, disponíveis. E mesmo assim distância ou o tempo ainda separa? É porque a presença nunca existiu, ou até existiu, mas se foi como o vento, passou com o tempo.

Muita gente usa o tempo como desculpa pra tudo, ou a falta dele, ou que ele, sim, ele faz a gente se afastar, esquecer, mudar... Sim. O tempo pode fazer isso e a falta do tempo também pode. Mas só faz isso quando o que existia entre essas pessoas era só coisa de momento ou falta de opção, que eram passageiras... Aí você enjoa delas e afasta o prato como quem não quer mais aquela pessoa na sua vida e pronto.

Aí dói! Dói porque tudo tem dois lados, ou melhor, quatro lados. Tem o meu lado e o seu. E tem ainda o que eu penso que você pensa e sente e, o que você pensa que eu penso e sinto. Eita vida difícil!


Quando o afastamento é de pessoas que não têm uma ligação muito forte a gente nem sente. Ocorre naturalmente, sem dor, você se desapega naturalmente e a vida segue seu curso. Mas quando são pessoas mais que especiais que se afastam amargamos muita dor. Porque pessoas não são coisas das quais a gente se livra, elas têm o poder de deixar parte delas na gente, de nos irradiar com sorrisos, de nos divertir, de nos encantar, de deixar nosso dia mais animado. Analise você sua vida antes e depois de cada pessoa que passou por você: vai ver que muitos hábitos foram adquiridos por influência delas, que algumas bandas que você nem conhecia passaram a ser suas preferidas, que comidas que não tinha experimentado você até sabe cozinhar... Aí elas somem!

A saudade aperta, aperta... Aí você até demonstra por esses meios fáceis de comunicação que ainda existe, deseja “Bom dia!”, tenta não entender que ela não está nem aí pra você, se faz de boba pra tentar puxar assunto, e nada, não tem resposta, não adianta de nada (nem pedir notícias por favor). Você é ignorado. E é frustrante. A gente fica como cachorro sem dono, perdido em meio à mudança, zonza.

O jeito é parar de importunar. Continuar pedindo a Deus que essas pessoas queridas sigam felizes suas caminhadas, sempre. E guardar lá na caixinha de recordações da nossa mente (que criativa, continua procurando razões pra isso, e respostas que nunca virão) só o tempo em que dava certo, que era bom, em que os minutos e as horas se falando não eram o bastante, porque apesar de pra você ainda não ser, para ela, já foi.

E o tempo, ele não apaga o que é de verdade. 

E a saudade? Ah! Dizem que um dia a gente deixa de sentir e ficam só doces lembranças. Tomara!

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