terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dane-se a perfeição


Sou o tipo de pessoa que recebe bem quaisquer críticas, mas sabe o que ocorre na maioria das vezes? As críticas que recebo são infinitamente menores que as que me faço. Cobro-me muito ser perfeita. Não perfeita no sentido de ser “santa”, porque nesse quesito jamais estarei pronta por mais que siga as instruções deixadas por Jesus em Sua palavra, já que minha natureza é pecaminosa. A perfeição que sempre me exigi foi de cada dia ser melhor que no dia anterior, a cada prova tirar nota melhor, a cada música cantada colocar algo a mais na minha interpretação e por aí vai. Porque como sempre me lembrava minha vó: "beleza não é tudo", e o fato de ter um rostinho bonito sempre foi razão maior pra ter outras qualidades e conquistas, senão seria vazia.

Passei a infância e adolescência entregando os trabalhos mais bem feitos, não importando, que para isso eu e meu grupo (que foi o mesmo por 08 anos!) passássemos todo o final de semana concentrados. Eu estudava para provas madrugada adentro e refazia todas as questões até que estivesse segura o bastante para não tirar nota inferior a 9,5, e só pensar que isso pudesse acontecer quase me enlouquecia e o menor décimo perdido era motivo de ter vontade de bater a cabeça na parede. Se eu adoecia, mesmo com febre teimava em ir à aula, porque temia perder matéria e ficar atrasada. A matéria que passei “pendurada” pelas faltas foi Educação Física, salva pela alternativa de jogar xadrez ou escrever sobre atividades esportivas, porque eu fugia dos esportes o quanto conseguia (exceto em alguns momentos, como nas turmas 511 e 603, quando tomei gosto por handball e voleibol e o nosso time ganhava todas, e no primeiro ano do Ensino Médio quando fui obrigada a jogar futebol e, pasmem: cheguei a ficar “fominha” de bola por uns meses, até que me machucaram).

Quando comecei a trabalhar, estava no Ensino Médio e minhas cobranças aumentaram porque além de continuar com excelentes notas eu me cobrava não cometer qualquer deslize no trabalho. 

Quanta ignorância a minha! Notas nos estudos e perfeição no trabalho de nada valem se comparados à saúde de quem a gente ama. E perfeição, nós não temos a oferecer, somos obra inacabada, somos seres em construção e em constante aprendizado, o melhor de tudo é viver isso: o caminhar! É no dia a dia que temos as maiores alegrias e no caminhar rumo a nossos objetivos que nossa felicidade reside, não em ficarmos em busca de fazer tudo perfeito.

O que me faz pensar assim hoje? A expressão nos olhos de um colega que não encontra palavras para descrever sua própria luta. Sua esposa está hospitalizada, em coma há quatro meses. A vida dele e das filhas precisa continuar, mas percebe-se que estão se arrastando, se esforçando para não esmorecer e continuar trabalhando, revezando no acompanhamento dela no hospital, tentando viver as outras áreas da vida com certa normalidade.

Somos falhos demais. Somos fracos. Somos mesquinhos. Valorizamos o que não tem valor algum diante do quão frágil é a vida. Corremos atrás do vento. Insistimos em amizades que não tem nada a nos acrescentar. É preciso selecionar melhor para viver melhor e doarmos nosso tempo a quem merece.

Vale todo esforço para alcançar nossos objetivos? Claro! Mas não podemos substituir o tempo que temos para dar atenção aos nossos filhos, pais, amigos de verdade e irmãos por outra especialização ou uma promoção. É preciso equilibrar nossas prioridades. O mais importante é cuidar de gente e da gente. Cuidar e estar com as pessoas que fazem parte da nossa vida. 

Falhamos em não dar a merecida atenção para nós mesmos em nossas limitações, nos cobramos demais. É preciso dar um tempo. Dar um tempo para apenas escutar nossa respiração e a de quem a gente ama, sem pressa, sem hora marcada, sem amanhã. Porque o amanhã não nos pertence!

Há quanto tempo você não fica em silêncio, apenas escutando a respiração de alguém especial para você ou mesmo prestando atenção às batidas do coração que bate em seu peito? Ou olhando para o céu vendo as formas das nuvens se alterarem? Provavelmente, muito.

Aproveite mais as coisas simples. Danem-se a mania de perfeição, os preconceitos e minhas autocríticas. Vamos viver como se não existisse amanhã!

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Viviane! Que post lindo, verdadeiro e inspirador! Adorei!!
Tinha muito tempo que não visitava esse seu espaço tão legal, gosto muito de ler o que você escreve. Um abraço! Rosiane