sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Rotina sem rotina


Sabe rotina sem rotina? Minha vida: o básico é cuidar de mim, dos meus filhos, da casa e ganhar dinheiro para manter tudo isso. Mas de básico, isso não tem nada. Tem momentos que parece que não vou dar conta, mas no final, apesar da mania de perfeitinha que estou deixando de lado, dou. 

Cuidar de mim é fazer as coisas de que eu gosto como cantar, ler muitos livros e contagiar meus filhos com esse hábito gostoso, assistir a filmes, séries e escrever. Na correria é um malabarismo arrumar tempo pra tudo: divertir-me e sair com amigos, estar com meus irmãos e pais, curtir meus sobrinhos e sobrinhas, ir a shows, viajar (a passeio, porque a trabalho já me cansei) e fazer nada de vez em quando é coisa rara. Tenho que estudar para cada projeto novo e fazer pesquisas da pós.

Cuidar do corpo e da saúde é uma luta. De academia, eu desisti, pois meus horários são muito irregulares. O que consigo sempre é uma corridinha e me esforço para ter a alimentação rica em vitaminas e com poucos deslizes. Lambuzo-me de protetor solar (FPS 70) todos os dias e creminhos noturnos já são bem vindos, já que estou quase com a idade de Cristo, Ah! Eu não uso nenhuma máscara assustadora - gosto de dormir linda (e acordar também!).

Muito importante (demais da conta, em bom “mineirês”) é manter a paz na alma e no espírito, falando com Deus todos os dias, não carregando mágoas, amando incondicionalmente quem me conquista (e me esforçando para fazê-lo com todos, pois é mandamento “amar ao próximo como a si mesmo”), perdoando tudo (“Pai perdoa os nossos pecados assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”), sendo livre e deixando os outros livres - carinho e demonstrações de afeto devemos dar sem esperar nada em troca. Por fim, tento dormir mais que 5 horas por noite, coisa de que não sinto falta não, mas há quem diga que fico mais linda e radiante quando durmo até acordar.


Cuidar dos meus filhos inclui dar carinho, educar, alimentar, verificar se tomou banho direito, conversar sobre os recadinhos que a professora deixa na agenda, conferir se estão lanchando e se tem lanche dos preferidos para todos os dias, ajudar no “para casa”, tirar as dúvidas mais inesperadas (como: “Por que é que meu p... muda quando vejo foto de mulher bonita tampando o peito com a mãe, mamãe?” ou “Por que se eu já escrevi isso tudo certo que eu tenho de escrever igual mais três vezes?”), contar histórias antes de dormir, assistir ao mesmo filme centenas de vezes (ainda bem que eu gosto!), entender todos os personagens dos filmes e desenhos, imitar as operações (e as vozes) dos pinguins, lêmures e todos os personagens de todos os filmes e desenhos, cantar as músicas que eles gostam antes de dormir, brincar, dar segurança, verificar se estão cobertos em noites frias, levar ao pediatra, ensinar a falar com Deus, a falar com as pessoas, a conterem a vontade de bater toda vez que contrariados, o ímpeto de jogar longe o controle do PS porque está difícil mudar de fase no jogo, a manter longe dos cabelos as tesourinhas... Ensinar a não depender da opinião de ninguém, a confiarem um no outro, a não dependerem emocionalmente da mãe.

Ser mãe é um presente, mas é complicado. A gente aprende fazendo. E se vez ou outra surgem dúvidas sobre como conduzir nossas próprias vidas, imagine a de um filho? Ter essas duas criaturinhas tão lindas é um presente de Deus que agradeço todo dia! A vida inteira! Transformam-me a cada dia, me fazem melhor, mais forte, mais viva!

Ganhar dinheiro é com trabalho, já que como diz um tio, perdi as duas chances mais certas de ficar rica - nascer rica ou casar com rica e, já que ganhar na loteria é bem difícil, o jeito é trabalhar. Só posso agradecer a Deus a sorte de fazer algo de que gosto, de poder dar vida a projetos que dão certo, e por trabalhar com pessoas competentes e que me inspiram pela paixão que têm por nosso trabalho.



Cuidar da casa é um dilema, porque sou do tipo que gosta de cuidar da própria casa, apesar de ter pouco tempo, trabalhar demais e ter 02 filhos pequenos. Desconfiança? Mania de querer tudo do meu jeito como o Sheldon (TBBT)? Esquisitice minha? Sei lá! Que seja! Ao menos não fui pega pelo susto do aumento dos custos e aperto das regras para manter empregada contratada legalmente (tenho amigas perdendo os cabelos de preocupação).

Enquanto cuido da casa eu aperfeiçoo outros talentos, mas faço o básico. Não vivo para a casa não, a casa que existe pra eu viver nela, ok? Compro todos os potentes produtos de limpeza que são lançados para tornar mais prático e que danifique menos o esmalte das unhas. Com certeza eu gastaria mais energia pra controlar alguém cuidando de tudo que euzinha fazendo. Com o que eu gastaria com empregada me sobra dinheiro pra viajar, comprar sapatos que me encantam e um monte de livros, filmes e minhas séries completas: não me contento em ver só uma vez o que gosto; eu leio um livro por semana - às vezes dois ao mesmo tempo, e acabo de lembrar-me que preciso de mais prateleiras na sala, no quarto... Além disso, eu gosto de cuidar pessoalmente das roupas, da comida e dos meninos (depois explico como resolvo tudo quando estou viajando a trabalho). Meu Isaac diz sempre “Mamãe general. Mamãe general.” e eu nem imagino o porquê disso (rrss). Mas algumas regras são necessárias, né? E eles, apesar de ainda terem cinco e seis aninhos já têm suas tarefas na arrumação.

Em meio a tudo isso, ainda tem minhas crises internas e meus questionamentos esquisitos, às vezes sobram umas olheiras (graças a Deus pela maquiagem!), mas impressionantemente, quando a gente faz o que gosta e está cercado de quem ama, mesmo sobrecarregados, a pele continua viçosa e o bom humor que só tem quem tem seu porto seguro em Deus é notável.

Inconformada com o básico, eu quero sempre mais. Rezo pra ter alguns momentos de solidão, pra escrever e falar sozinha, e em tudo quero balões, fogos de artifício e som de violinos.



Ah! Atendendo aos pedidos do Dani, Thales, Lu, Lucy e outros queridos, estou montando aquele projeto sobre o bom uso do tempo. Aguardem!

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