domingo, 8 de setembro de 2013

Sobre mentiras e verdades


O meu caçula completou cinco anos há pouco tempo. Como está grandinho! Já se sente um rapaz pra certas coisas, como querer namorar, jogar games violentos e conversar “coisa de gente grande”, enquanto para outras faz questão de ainda se dizer meu bebê, faz graça, me derrete fácil com tanto carinho e beijos. Ama estar grudado, abraçado. 

Temos sempre nossos momentos juntos, em que me conta o que fez durante o dia, seja juntinhos em casa ou conectados pela cam, a centenas de quilômetros por conta do meu trabalho. Ele me conta coisas boas e as más que realizou. Ele sabe que será repreendido e que talvez fique de castigo, mas fala tudo. Ensinei assim: “Não importa o que seja, conte a verdade, sempre”. E ele conta com olhos apreensivos: “Mamãe eu bati no Mateus e respondi a tia hoje”.

Sabe por que muita gente mente? Porque muita gente não está preparada para reagir às verdades que pode escutar. Uma criança que tenha uma mãe violenta jamais contará o que fez por medo de uma surra e caso ela tenha uma mãe depressiva e que ameaça se jogar da ponte porque o filho fez algo errado também não contará nada por medo da mãe se machucar. Os adultos são como as crianças, e para se poupar e poupar ao outro, por medo da reação do outro, vão jogando coisinhas para debaixo do tapete. Omitem coisinhas. Cometem erros enormes pra esconder mentiras, e como diz um antigo provérbio: “um abismo puxa outro abismo”. Daí chega um dia que essas coisinhas se tornam uma bomba devastadora, que destrói a tudo que estiver por perto.

A verdade pode doer em quem escuta, pode trazer consequências, mas com certeza faz bem menos estragos que a mentira descoberta, pois não existe nada pior que descobrir algo errado que alguém que consideramos em nossa vida fez pela boca de um terceiro.

Mas tudo tem dois (ou mais) lados. É preciso ser verdadeiro, mas também é preciso saber reagir diante das verdades que escutamos e que nem sempre são o que gostaríamos de ouvir. Precisamos estar sempre prontos para perdoar, para repreender com amor e proteger ao outro. Porque olhe, quem mente e erra também se sente mal, também tem consciência de que fez algo errado e se está contando é porque quer crescer.

É preciso estar pronto para assumir as consequências dos nossos atos desde cedo, e é sorte ter a segurança de saber que temos um porto seguro e de que podemos contar uns com os outros, assim como meu filho tem (e a cada erro sobre o qual conversamos ele melhora a forma de se relacionar com seus coleguinhas e com a professora). Nossa vida não deve ser um campo minado em que a qualquer momento bombas podem explodir. É preciso cuidar das nossas relações no dia a dia com carinho, respeito, companheirismo e, sobretudo, muito amor. Sem reservas, sem medos e sem culpas.

Você sabe escutar a verdade? Você sabe contar a verdade? Pense sobre como são seus relacionamentos e de que campos minados você está cercado. 

Tenha uma semana maravilhosa!

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